
JSNews – 20 de janeiro de 2026
Em um marco para o beisebol nacional, o arremessador Cláudio Pereira, de 17 anos, oficializou sua entrada no sistema profissional da Major League Baseball (MLB) ao assinar com o Boston Red Sox em 15 de janeiro de 2026. O contrato, um acordo de ligas menores para prospects internacionais, inclui um bônus de assinatura de US$ 500 mil (equivalente a cerca de R$ 2,6 milhões na cotação atual). Natural de Marília, no interior de São Paulo – uma região do Sudeste brasileiro conhecida mais por sua agropecuária do que por esportes de massa como o beisebol –, Pereira se torna o sexto atleta do país a firmar um vínculo com uma franquia da principal liga de beisebol dos Estados Unidos.
A assinatura ocorreu no primeiro dia da janela internacional de contratações para a classe de 2026, período em que equipes da MLB podem recrutar jovens talentos de fora dos EUA, Canadá e Porto Rico.
Pereira, um destro de 1,98 metro de altura e cerca de 87 quilos, impressiona pela projeção física e habilidade. Sua bola rápida já alcança velocidades acima de 145 km/h, complementada por uma mudança de velocidade eficaz e uma curva em desenvolvimento. Avaliadores destacam sua extensão no arremesso, ângulo descendente e potencial para ganhar mais força com o amadurecimento corporal, comparando-o a pitchers como o dominicano Eury Pérez em estágio inicial de carreira.
Um Início Improvável em um Esporte “Exótico” no Brasil
A trajetória de Pereira reflete o desafio de se destacar em um esporte ainda considerado “restrito a nichos” no Brasil, onde o futebol reina absoluto e o beisebol é visto como algo “exótico” ou associado a comunidades de descendentes japoneses. Nascido em 16 de outubro de 2008, o jovem começou a praticar aos 14 anos no Nikkei Clube de Marília, uma instituição local influenciada pela cultura nipo-brasileira que fomenta o beisebol desde décadas passadas. Esses clubes, espalhados por cidades como São Paulo e Paraná, servem como berços para o esporte no país, oferecendo treinamentos básicos em meio a uma infraestrutura limitada comparada a potências como República Dominicana ou Venezuela.
Sem tradição nacional forte – o Brasil tem apenas cerca de 5 mil praticantes federados, segundo estimativas –, Pereira se desenvolveu por meio de programas de base e seletivas organizadas pela Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS) em parceria com a MLB. Ele participou de acampamentos internacionais, onde chamou atenção de olheiros por sua mecânica fluida e potencial de crescimento. Em um país onde o beisebol luta por visibilidade, histórias como a dele inspiram uma nova geração, provando que dedicação e exposição global podem superar barreiras culturais e logísticas.
Agora no sistema dos Red Sox, Pereira deve iniciar sua jornada nas ligas de desenvolvimento, possivelmente na Dominican Summer League ou em complexos de treinamento nos EUA. O foco será em refinar técnicas, ganhar massa muscular e adaptar-se ao ritmo profissional, com olhos no sonho de chegar às Grandes Ligas.
Outros Brasileiros que Pavimentaram o Caminho na MLB
Pereira não é o primeiro a cruzar o Atlântico em busca do sonho americano no beisebol. Ele se junta a uma lista seleta de compatriotas que assinaram com franquias da MLB, destacando o crescimento gradual do esporte no Brasil. Historicamente, cinco brasileiros já debutaram nas Grandes Ligas:
- Yan Gomes: Catcher de São Paulo, o mais bem-sucedido, com 13 temporadas, incluindo um All-Star em 2018 por times como Toronto Blue Jays e Washington Nationals.
- André Rienzo: Arremessador paulista, estreou em 2013 pelo Chicago White Sox.
- Luiz Gohara: Pitcher de São Paulo, jogou pelo Atlanta Braves em 2017-2018.
- Paulo Orlando: Outfielder paulista, atuou pelo Kansas City Royals de 2015 a 2018.
- Thyago Vieira: Arremessador de São Paulo, defendeu Seattle Mariners e Chicago White Sox a partir de 2017.
Além desses, a janela de 2026 trouxe mais nomes brasileiros, como o arremessador Pietro Pires, que assinou com o Pittsburgh Pirates. Esses atletas, majoritariamente de ascendência nipo-brasileira e do estado de São Paulo, representam o pipeline crescente, impulsionado por iniciativas de scouting da MLB no país. Com Pereira como o mais recente, o Brasil pode ver mais representantes nas ligas americanas nos próximos anos, elevando o perfil do beisebol local.
A assinatura de Pereira não só celebra um talento individual, mas sinaliza o potencial inexplorado do beisebol brasileiro. Em um esporte dominado por latinos e asiáticos, o Brasil emerge como uma fronteira nova, com jovens como ele abrindo portas para o futuro.


