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A intensificação das ações do Immigration and Customs Enforcement (ICE) desde o início de 2025 tem provocado queda nas matrículas e aumento da evasão de estudantes de famílias imigrantes nas escolas públicas americanas. A comunidade brasileira, concentrada principalmente na Flórida e em Massachusetts, está entre as afetadas.
Massachusetts concentra a segunda maior população brasileira nos Estados Unidos e registra algumas das densidades mais altas do país. Cidades como Framingham, Everett, Marlborough e a região metropolitana de Boston têm presença significativa de brasileiros. Desde o endurecimento da fiscalização migratória, distritos com grande número de alunos imigrantes e de inglês como segunda língua registraram perdas expressivas. Boston perdeu cerca de 1.700 estudantes em um ano. Framingham, Everett e Chelsea também registraram quedas superiores a 5%. Pais relataram medo de buscar os filhos em pontos de ônibus ou de se aproximar das escolas, após operações do ICE em áreas residenciais e próximas a instituições de ensino.
Na Flórida, estado com o maior número absoluto de brasileiros, o impacto também aparece nas matrículas. Em Miami-Dade, o ingresso de alunos vindos de outro país caiu de cerca de 14 mil no ano letivo anterior para pouco mais de 2,5 mil. A redução reflete tanto a diminuição de novas chegadas quanto o temor de famílias já estabelecidas.
O fenômeno não se restringe aos brasileiros. Em Maryland, a matrícula de alunos hispânicos caiu pela primeira vez em anos, apesar do crescimento contínuo da população latina no estado. Educadores e lideranças comunitárias atribuem a queda ao medo gerado por prisões próximas a escolas e pela revogação da política de “locais sensíveis”, que antes limitava ações do ICE em escolas, hospitais e igrejas.
Na Califórnia, o distrito de Los Angeles Unified, o segundo maior do país, registrou redução superior à prevista, com queda acentuada entre alunos recém-chegados. Em todo o estado, a perda de estudantes latinos superou 48 mil. Em Nova York, escolas que haviam absorvido grande número de migrantes nos anos anteriores viram parte desses ganhos se reverter. Em Houston, no Texas, o distrito perdeu quase 4 mil alunos imigrantes em um único ano letivo.
Em escala nacional, pesquisas com diretores de escolas e dados de vários estados apontam o mesmo padrão: aumento de faltas, redução de novas matrículas e famílias que optam por manter os filhos em casa ou se mudar. O clima de temor se intensificou após o fim das restrições a operações em locais sensíveis e o crescimento das prisões perto de escolas e pontos de ônibus.
O resultado é um retrato de insegurança que afeta o acesso à educação de milhares de crianças e adolescentes, independentemente da nacionalidade. Em estados com forte presença brasileira, como Massachusetts e Flórida, o impacto se soma ao de outras comunidades latino-americanas e caribenhas, formando um quadro de evasão e redução de matrículas em diversas regiões do país.


