JSNEWS, Washington, 19 de novembro de 2025 –
Com a assinatura presidencial prevista para esta semana do “Epstein Files Transparency Act”, aprovado por 427 a 1 na Câmara e por consentimento unânime no Senado, o Departamento de Justiça (DOJ) terá até 30 dias para começar a divulgar todos os documentos federais não classificados sobre Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Especialistas consultados por BBC, Reuters, The New York Times e Associated Press são unânimes em recomendar cautela: o material será volumoso, mas não deve trazer a “bomba” que grande parte do público espera.
Os arquivos incluem flight logs completos do jato e do helicóptero de Epstein entre 1991 e 2019, o black book ampliado (cerca de 1.900 contatos, a maioria já conhecida), milhares de e-mails e mensagens trocadas por Epstein e Maxwell, relatórios internos do FBI das investigações de 2006–2008 e 2019–2025, depoimentos de vítimas (com nomes de menores redigidos) e registros financeiros das doações a universidades e cientistas.
Por lei, imagens ou vídeos de pornografia infantil e qualquer conteúdo que identifique vítimas menores permanecerão selados, assim como documentos ligados a segurança nacional ou investigações ainda ativas. Até o momento, o que se sabe dos trechos já liberados em 2025 e das revisões internas do DOJ é o seguinte: Donald Trump aparece em sete voos curtos entre Palm Beach e Nova York entre 1993 e 1997 e em eventos sociais nos anos 1990, mas não há registro de ida à ilha Little St. James; Bill Clinton consta em 26 voos, quatro deles após a condenação de Epstein em 2008; Virginia Giuffre, principal testemunha das vítimas, declarou repetidamente que Trump “não participou de nada” e foi apenas “amigável”.
Figuras como Bill Gates, Leon Black, Ehud Barak e o príncipe Andrew têm presença mais frequente e próxima das propriedades de Epstein. Em julho de 2025, após exame completo dos mais de 300 GB de dados, a procuradora-geral Pam Bondi informou ao Congresso que “não há evidência de chantagem sistemática a figuras públicas de alto nível” nem uma “lista de clientes” no formato que circula nas redes.
Portanto, o que deve sair nas próximas semanas é mais informação sobre a rede social e financeira de Epstein, mas dificilmente provas criminais inéditas capazes de gerar novas acusações contra políticos ou bilionários proeminentes. A primeira leva de documentos – provavelmente flight logs e e-mails – deve chegar em dezembro; os lotes seguintes podem se estender até março de 2026. Sobreviventes celebraram a aprovação da lei, mas pediram que a divulgação priorize a proteção das vítimas e evite exploração política. Como resumiu o senador John Cornyn, um dos autores do projeto: “Haverá muito barulho, muitos nomes conhecidos, mas provavelmente nenhuma grande surpresa criminal”.


