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OURO PRETO DO OESTE (RO) — A menos de 48 horas do Tribunal do Júri, Adewalter Majesky, conhecido em todo o Brasil como Cowboy de Rondônia, não esconde a dor. De longe, dos Estados Unidos, ele aguarda o julgamento de três homens acusados de planejar e executar seu filho, o engenheiro agrônomo Withor Vieira Majesky, de 26 anos, morto a tiros em abril de 2025.
A frase resume o sentimento do pai: “Vi aquele menino crescer e ele matou meu filho”. O “menino” a que se refere é Anedinos Cordeiro dos Santos, 45 anos, ex-candidato a vereador por Teixeirópolis, apontado pela Polícia Civil como o mandante do crime.
No banco dos réus, ao lado de Anedinos, estarão Uilians Ítalo Souza da Silva, 32 anos, e Romildo Ferreira da Silva, 36 anos, acusados de serem os executores. Os três respondem por homicídio qualificado e permanecem presos desde a fase inicial das investigações.
O crime ocorreu na noite de 23 de abril de 2025. Withor saía de uma academia na Avenida XV de Novembro, em Ouro Preto do Oeste, quando foi perseguido por dois homens em uma moto. Na RO-470, no primeiro quebra-molas da saída para Vale do Paraíso, ele foi atingido por dois tiros e morreu no local.
Uma briga por terra que virou tragédia
Tudo começou com uma negociação aparentemente simples. Em 2021/2022, Cowboy de Rondônia comprou de Anedinos uma área de aproximadamente 3,5 hectares no km 20 da Linha 31, em Teixeirópolis, por R$ 180 mil. A intenção era clara: deixar um patrimônio para o filho, que havia se formado em Agronomia, trabalhava como consultor rural e morava na região, entre Ouro Preto do Oeste e Vale do Paraíso.
O contrato foi registrado em cartório. Parte do valor foi paga à vista, mas problemas com o desmembramento da terra — que ainda estava em nome da ex-esposa de Anedinos — geraram sucessivos atrasos. Mesmo após novo pagamento de R$ 70 mil para agilizar a documentação, o vendedor teria exigido mais dinheiro, alegando valorização do imóvel. O caso foi judicializado. Uma audiência aconteceu em 22 de abril. No dia seguinte, Withor foi executado.
Para Cowboy de Rondônia, a morte do filho não foi um desentendimento que fugiu do controle, mas uma escolha deliberada. “Ele já tinha recebido o dinheiro e a documentação, mas optou por mandar matar”, afirma o pai, que acompanhou o caso de perto mesmo estando nos Estados Unidos, onde atua como agricultor, produtor de eventos, radialista e locutor de rodeios.
O julgamento está marcado para esta quarta-feira (20 de maio) no Fórum de Ouro Preto do Oeste. O Conselho de Sentença decidirá o destino dos três réus. Cowboy de Rondônia, que gravou vídeos convocando a população a acompanhar o júri, vive os dias mais difíceis de sua vida. Depois do assassinato, ainda foi preso pela imigração americana (ICE) por 44 semanas, sendo libertado há pouco mais de um mês.
A história, que une famílias que se conheciam desde a infância na roça, agora chega ao momento decisivo na Justiça. Para o pai da vítima, mais do que uma condenação, o júri representa a esperança de que uma disputa por terra não termine impune com a morte de um jovem que apenas tentava garantir o que considerava seu por direito.


