JSNews, 02 de março de 2026
A Justiça de imigração dos Estados Unidos determinou a deportação de Michely Paiva Alves, de 38 anos, considerada a última brasileira foragida envolvida nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 que ainda se encontrava ilegalmente no país. A decisão, proferida por um juiz administrativo em El Paso, no Texas, foi comunicada à Justiça brasileira em 9 de fevereiro de 2026. Michely, comerciante de Limeira (SP), está detida há mais de um ano em uma unidade do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), após entrar ilegalmente nos EUA pela fronteira com o México.
No Brasil, ela responde por cinco crimes relacionados aos eventos que tentaram subverter a democracia, incluindo o financiamento de um ônibus que transportou 30 pessoas de Limeira para o Quartel-General do Exército em Brasília, de onde partiram para as invasões na Praça dos Três Poderes.
De acordo com documentos judiciais e relatórios da Polícia Federal brasileira, Michely Paiva Alves é uma das 1.399 pessoas identificadas como responsáveis pelos atos extremistas de 2023. Antes de fugir para os EUA, ela cumpria prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica em Limeira, aguardando julgamento por acusações como associação criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que ela organizou e financiou o transporte, pagando R$ 12 mil pelo frete do ônibus, o que facilitou a participação de bolsonaristas radicais nos quebra-quebras que danificaram prédios públicos em Brasília. A defesa de Michely, no entanto, recorreu da decisão de deportação ao Board of Immigration Appeals (BIA), argumentando que não há provas de que ela tenha depredado bens públicos ou participado diretamente de atos violentos, e que sua presença nos EUA não representa ameaça.
O caso de Michely não é isolado. Pelo menos quatro mulheres bolsonaristas foragidas pelos atos de 8 de janeiro foram detidas nos EUA após entradas ilegais, frequentemente via Argentina e México, buscando asilo político sob alegações de perseguição. Rosana Maciel Gomes, de Goiânia, condenada a 14 anos de prisão, foi deportada em agosto de 2025 e presa ao chegar ao Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. Ela argumentou ser vítima de perseguição política, mas o pedido foi negado pelas autoridades americanas. Outras, como Raquel de Souza Lopes e Cristiane da Silva, também enfrentaram deportações semelhantes, destacando o enfraquecimento de redes de proteção para golpistas no exterior, mesmo durante a administração de Donald Trump, que deteve Michely inicialmente.
Especialistas em direito internacional consultados por veículos como o UOL e Carta Capital apontam que esses casos ilustram a relutância dos EUA em conceder asilo a envolvidos em atos antidemocráticos, priorizando tratados de extradição com o Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, já liberou algumas deportadas após cumprimento de penas iniciais, mas Michely ainda aguarda julgamento completo. Enquanto o recurso é analisado, Michely permanece detida no ICE, e sua deportação pode ocorrer em breve, marcando o fim de uma era de fugas para bolsonaristas radicais nos EUA.


