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A corrida presidencial para 2026 já tem seis principais pré-candidatos. As candidaturas devem ser oficializadas nas convenções partidárias entre julho e agosto, com registro no TSE, e o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
O presidente Lula (PT) pretende disputar a reeleição e buscar o quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) surge como seu principal oponente, consolidado como o herdeiro do clã Bolsonaro nas pesquisas mais recentes. A polarização entre os dois domina o cenário nacional.
Nesta semana, o PSD anunciou Ronaldo Caiado como seu candidato, após disputa interna que envolveu Eduardo Leite e a desistência de Ratinho Junior.
Em meio a nomes já conhecidos da política brasileira, surge Renan Santos (Missão) como uma forte renovação da direita. Aos 42 anos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do recém-criado partido Missão (o mais novo registrado no TSE, em novembro de 2025), ele disputa sua primeira eleição e se destaca por representar uma direita mais jovem, combativa e sem ligação com o establishment tradicional.
Renan Santos vem conquistando espaço especialmente entre a Geração Z (eleitores de 16 a 24 anos), onde aparece como favorito em várias pesquisas recentes. Na AtlasIntel de março, ele alcança 24,7% nesse segmento — um crescimento de quase 9 pontos em poucas semanas — e já preocupa o Planalto, que registrou aumento significativo na desaprovação de Lula entre os jovens. Nos meios digitais, Renan é um dos mais fortes: suas lives, vídeos provocativos e presença nas redes sociais geram alto engajamento, funcionando como uma “tática do barulho” para ganhar visibilidade apesar do pouco tempo de TV e estrutura partidária tradicional.
No cenário geral, ele aparece com 3% a 4,6% (chegando ao 3º lugar em algumas sondagens), superando ou empatando com governadores mais conhecidos em recortes específicos.
Os pré-candidatos:
- Lula (PT)
O atual presidente vai tentar o quarto mandato — algo inédito na história do país. Será sua sétima disputa presidencial. Em 2022, disse que não buscaria novo mandato, mas mudou de posição para defender seus programas sociais. Aos 81 anos em outubro, será o candidato mais velho a concorrer. As pesquisas o colocam em primeiro lugar no 1º turno e em empate técnico com Flávio Bolsonaro no 2º turno. - Flávio Bolsonaro (PL)
O senador foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para ser o candidato do campo direitista. Frustrou outras lideranças, como Tarcísio de Freitas. As pesquisas mostram Flávio consolidado em segundo lugar no 1º turno e empatado com Lula no 2º. Defende a anistia ao ex-presidente e aos condenados pelos atos de 2022/2023. - Ronaldo Caiado (PSD)
Governador de Goiás (deve renunciar nos próximos dias), anunciado pelo partido após superar Eduardo Leite internamente. Tem nome nacional e experiência como senador e deputado, mas seu apoio ainda aparece restrito principalmente ao seu estado. Registra cerca de 4% nas pesquisas mais recentes. Apresenta-se como alternativa à polarização Lula × Bolsonaro, embora também defenda a anistia. - Romeu Zema (Novo)
Ex-governador de Minas Gerais (renunciou recentemente). Empresário que entrou na política em 2018 e foi reeleito em primeiro turno em 2022. Aos 61 anos, tem perfil liberal, mas ainda é pouco conhecido pelo eleitorado fora de Minas Gerais. Aparece com 2% a 3% nas pesquisas. - Renan Santos (Missão)
Fundador do MBL e dirigente do partido Missão, Renan Santos, de 42 anos, representa a renovação da direita brasileira. Sem mandato anterior e com pouca estrutura tradicional, ele aposta forte nos meios digitais e no eleitorado jovem. É onde mais cresce: chega a 6-10% na Geração Z segundo Datafolha e até 24,7% na AtlasIntel, tornando-se uma das vozes mais barulhentas e atrativas para quem busca uma direita sem os vícios do passado. No geral, oscila entre 1% e 4,6%, mas seu avanço entre os jovens já acende alertas. - Aldo Rebelo (Democracia Cristã)
Ex-deputado, ex-ministro de governos petistas (Lula e Dilma) e hoje crítico da esquerda. Passou por vários partidos e tem longa trajetória política, mas é pouco conhecido pelo eleitorado fora de seus círculos tradicionais em São Paulo. Registra entre 1% e 2% nas pesquisas.
Cenário atual
As pesquisas de março de 2026 confirmam a forte polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, com empate técnico no segundo turno. Os demais nomes ainda têm desempenho modesto no cenário nacional: Caiado tem nome mais nacional, mas limitado fora de Goiás; Zema e Aldo Rebelo são pouco conhecidos além de seus estados de origem. Renan Santos surge exatamente como o contraponto: uma renovação da direita que ganha tração onde a política tradicional perde força — especialmente entre os jovens e nos ambientes digitais.
O quadro ainda pode mudar bastante até a oficialização das candidaturas e o início da campanha em agosto.


