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Para milhares de famílias brasileiras em Massachusetts, o custo de vida deixou de ser apenas um desafio financeiro e tornou-se uma ameaça direta à estabilidade e ao futuro. Em cidades como Lynn e Salem, onde a presença brasileira é vital para a economia e para a vida comunitária, o aumento dos preços e a falta de moradia acessível têm colocado em risco a permanência dessas famílias nos bairros que ajudaram a construir.
Massachusetts abriga cerca de 140 mil brasileiros, formando a segunda maior comunidade brasileira nos Estados Unidos. Em 2022, trabalhadores imigrantes brasileiros contribuíram com aproximadamente US$ 8 bilhões para o produto estadual bruto, demonstrando sua relevância econômica. Apesar disso, os sistemas de apoio não têm respondido à altura, deixando famílias em situação de vulnerabilidade. A crise habitacional é um dos pontos mais críticos.
O estado enfrenta um déficit de mais de 220 mil moradias, e os preços dispararam na última década. Para famílias brasileiras, isso significa escolhas dolorosas: viver longe do trabalho, enfrentar deslocamentos longos que afastam pais de seus filhos, ou comprometer grande parte da renda apenas para pagar aluguel. Essas não são decisões inevitáveis, mas fardos impostos às famílias trabalhadoras. A saúde é outro fator de pressão.
Mesmo em um estado com cobertura quase universal, 41% das famílias relatam dificuldades para arcar com custos médicos. Muitas vezes, o atendimento necessário está disponível, mas inacessível financeiramente. A proposta de redirecionar bilhões de dólares destinados ao ICE para reduzir os custos de saúde das famílias trabalhadoras busca enfrentar essa realidade, substituindo investimentos em deportações por políticas que mantenham famílias unidas e seguras.
Essas dificuldades não são apenas números ou estatísticas: elas afetam diretamente a dignidade e a estabilidade das famílias. A acessibilidade determina se uma criança pode continuar na mesma escola, se um trabalhador consegue viver perto do emprego e se uma família pode chegar ao fim do mês sem medo de uma conta inesperada. Trata-se de dignidade, de pertencimento e de futuro.
A comunidade brasileira em Massachusetts não é apenas parte da paisagem cultural; ela é motor econômico e social. Se essas famílias não conseguem permanecer, o estado enfrenta não apenas um problema de equidade, mas também um problema econômico estrutural. A saída de trabalhadores e famílias que sustentam a economia local enfraquece o tecido social e compromete o crescimento do estado. A mensagem central é clara: Massachusetts só será forte se as famílias que o sustentam puderem construir suas vidas com confiança e estabilidade.
Reconhecimento não paga aluguel, não cobre cuidados infantis e não reduz contas médicas. O que as famílias pedem é simples e direto: custos mais baixos, mais estabilidade e políticas públicas que reflitam sua realidade.
Mais do que discursos, é preciso ação. Construir moradias acessíveis com rapidez, garantir saúde de qualidade e reduzir custos básicos são medidas urgentes. A política deve ir além de reconhecer a importância da comunidade brasileira; deve lutar pelas condições que permitam que essas famílias fiquem, cresçam e prosperem.
Nota do autor: Seth Moulton representa o 6º Distrito Congressional de Massachusetts e é candidato ao Senado dos Estados Unidos.


