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Los Angeles (Califórnia), 7 de abril de 2026 – Um júri americano condenou, na última sexta-feira (3 de abril), o brasileiro Luís Antônio Gomes Akay, de 39 anos, por homicídio em primeiro grau na morte da namorada Anna Laura Costa Porsborg, de 22 anos, natural de Santarém (PA). O crime ocorreu em 27 de dezembro de 2022 dentro de um quarto de hotel em El Segundo, na Grande Los Angeles. O corpo da vítima, reservista do Exército americano, nunca foi encontrado.
O veredito foi unânime e veio após menos de três horas de deliberação. Akay, que testemunhou em sua própria defesa, negou o crime até o final. A sentença será anunciada no dia 27 de abril de 2026 no Tribunal Superior de Los Angeles. Ele pode pegar de 25 anos à prisão perpétua.
Como o crime aconteceu, segundo a acusação
De acordo com a promotoria, o casal estava de férias na Califórnia. Na noite de 27 de dezembro, após jogar boliche e beber cerveja, eles voltaram ao hotel. A promotora Hilary Williams sustentou que Akay estrangulou Anna Laura no quarto, colocou o corpo em uma mala, deixou-o na banheira por horas e depois o descartou na região montanhosa de Sunland-Tujunga, perto de Big Tujunga Canyon Road.
Cães farejadores de cadáver alertaram no banheiro do hotel e no carro alugado. Registros de celular mostram que Akay passou a noite seguinte pesquisando lojas de fumo, pornografia, Tinder e serviços de acompanhantes — enquanto o corpo da namorada ainda estaria no quarto. No dia seguinte ele continuou “passeando” por Los Angeles antes de comunicar o desaparecimento, mais de 17 horas depois.
Anna Laura enviou a última mensagem à mãe, Erbena Costa, do boliche: “Obrigada mami, vim jogar boliche, te amo”. No dia seguinte não mandou a tradicional “foto do look” — o que deixou a família imediatamente preocupada.
“No body, no crime”: a estratégia que não funcionou
A promotoria revelou que Akay tinha obsessão pela frase “sem corpo, sem crime”. Ele repetia o bordão para amigos anos antes do crime. A acusação também apresentou evidências de que ele já havia sido suspeito de matar outra namorada no Brasil: Ana Cláudia dos Santos Silva, desaparecida em 2017 em Esperança (PB). Akay nunca foi julgado por aquele caso, mas o júri americano ouviu o relato como prova de padrão de comportamento.
A defesa argumentou que Anna Laura, embriagada e irritada com o excesso de uso do celular pelo namorado, teria saído sozinha do quarto naquela noite fria e desaparecido em Los Angeles. “Se ela não estava na mala, ela saiu do quarto”, disse o advogado Stephen Kahn.
Reação da família
A mãe de Anna Laura, Erbena Costa, acompanhou todo o julgamento e desabou em lágrimas ao ouvir o veredito. “Foi extremamente difícil, mas eu tive o apoio de muita gente e o resultado me dá um pouco de paz agora”, declarou. “Não traz minha filha de volta, mas mostra que a justiça funciona.”

O que acontece agora
Akay permanece preso. A condenação americana deve impulsionar a investigação no Brasil sobre o desaparecimento de Ana Cláudia dos Santos Silva, que até então era tratado apenas como “desaparecimento”. Autoridades brasileiras e o xerife de Los Angeles destacaram a colaboração entre os dois países.
A busca pelo corpo de Anna Laura continua até hoje. O caso é considerado um dos mais emblemáticos de “homicídio sem corpo” (no-body homicide) julgados recentemente na Califórnia.
A sentença de 27 de abril definirá se Luís Antônio Gomes Akay passará o resto da vida atrás das grades ou se ainda terá chance de liberdade condicional após 25 anos. A família de Anna Laura e a opinião pública brasileira acompanham atentamente o desfecho.


