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Boston, 08 de Julho e 2026 — A United Airlines terá de enfrentar uma ação coletiva movida por passageiros que alegam ter sido induzidos a pagar valores adicionais por assentos na janela que, na prática, não oferecem vista externa. A decisão foi tomada na segunda-feira, 06, pelo juiz federal James Donato, do Tribunal Distrital do Norte da Califórnia, em San Francisco, que rejeitou o pedido da empresa para descartar o processo.
O processo, que também envolve a Delta Air Lines, acusa as duas companhias de práticas enganosas ao não informar, durante a reserva, que determinados assentos rotulados como “window seats” em Boeing 737, 757 e Airbus A321 ficam ao lado de paredes internas da cabine, sem qualquer janela.
O magistrado descartou o argumento da United de que o termo “window seat” se refere apenas à posição do assento — junto à fuselagem da aeronave — e não a uma garantia de vista para o exterior. Segundo Donato, os próprios materiais da companhia, como telas de reserva, passes de embarque e condições de bilhete, prometem assentos na janela aos clientes que pagam por eles.
A United Airlines informou, por meio de nota, que atualizou em 2025 o processo de seleção de assentos em seu site e aplicativo para oferecer “mais detalhes” aos clientes sobre o que esperar ao escolher um lugar. A empresa, no entanto, declinou de comentar especificamente o andamento da ação. A Delta também preferiu não se manifestar sobre o litígio pendente.
Os processos foram protocolados em agosto: um contra a United em San Francisco e outro contra a Delta no tribunal federal do Brooklyn, em Nova York. Os advogados dos passageiros buscam indenizações milionárias em nome de mais de 1 milhão de afetados.
“Palavras vazias”
Na época do ajuizamento, o advogado Carter Greenbaum, que representava os autores das ações, criticou duramente a postura das empresas. “A posição da United é contrária às expectativas razoáveis de incontáveis passageiros que pagaram a mais, sem saber, por assentos sem janela. Os consumidores merecem algo melhor do que promessas vazias e jogos de palavras”, disse ele à agência Reuters.
As companhias sustentaram em documentos judiciais que nunca prometeram explicitamente uma vista externa. “A palavra ‘window’ identifica a posição do assento, ou seja, ao lado da parede da fuselagem principal da aeronave”, argumentou a United. Para a empresa, não seria razoável interpretar o termo como uma garantia de janela real.
Os passageiros, por sua vez, relatam prejuízos que vão além do valor pago a mais. Muitos escolhiam os assentos na janela para reduzir ansiedade durante o voo, amenizar enjoos ou simplesmente apreciar a paisagem — benefícios inexistentes nos lugares bloqueados.
A decisão do juiz Donato permite que o caso avance para a fase de produção de provas e, eventualmente, julgamento ou acordo. A Delta também tenta derrubar o processo que corre contra ela em Nova York.
O episódio expõe um ponto sensível na experiência dos passageiros: a frustração com práticas comerciais que, embora amparadas em interpretações técnicas, colidem com o senso comum do consumidor. Enquanto as ações tramitam, a United tenta mitigar o problema com maior transparência nas plataformas digitais — mas, para os autores do processo, a correção vem tarde demais.


