Nova York/Miami/Rio, 24 de abril de 2026.
Em uma entrevista à RAI, televisão pública italiana, Paolo Zampolli não se conteve. O empresário ítalo-americano, hoje enviado especial para assuntos globais do governo Donald Trump, falava da ex-mulher brasileira e disparou: “As mulheres brasileiras causam confusão com todo mundo, certo? Não é que essa foi a primeira”. O repórter insistiu: seria questão genética? Zampolli, sem piscar, respondeu: “As mulheres brasileiras são programadas”. Depois ainda emendou, referindo-se a uma amiga da ex: “Essa raça maldita de brasileiras, são todas iguais”.
Não era delírio de bar. Era um alto funcionário da Casa Branca, aliado de longa data de Trump, falando ao vivo. E o alvo era clara: Amanda Ungaro, a brasileira com quem viveu quase 20 anos, mãe do filho dele de 16 anos e personagem central de uma das batalhas judiciais mais sujas que envolvem poder, imigração e influência política nos Estados Unidos.
Quem é Amanda Ungaro?
Natural de Londrina, no Paraná, Amanda começou como modelo aos 13 anos. Desfilou na Europa, Ásia, virou rosto conhecido no mundo da moda. Conheceu Zampolli ainda adolescente – ele, agente de modelos, 15 anos mais velho. O relacionamento durou quase duas décadas. Tiveram um filho. Frequentavam Mar-a-Lago, jantares com os Trump, festas da elite. Ela até virou embaixadora de Granada na ONU durante o primeiro mandato de Trump.

Nada foi julgado ainda. Ela jura que as acusações eram fabricadas. Passou três meses e meio presa num centro do ICE. Pediu, por fim, para ser deportada para o Brasil, o que aconteceu em outubro de 2025.
O que Zampolli fez, segundo as investigações?
O New York Times obteve registros e conversas. Assim que soube da prisão da ex, Zampolli ligou para David Venturella, alto funcionário do ICE, e perguntou se podiam “segurar” Amanda na detenção de imigração antes que ela saísse sob fiança. Argumentou que ela estava ilegal no país. O caso era “importante para alguém próximo à Casa Branca”. O ICE atendeu. Ela ficou detida. E Zampolli ganhou terreno na briga pela guarda do filho.
Amanda acusa o ex de abuso sexual e violência doméstica durante o relacionamento. Diz que ele a “descobriu” quando ela era menor de idade e que usou influência para tirá-la do caminho e ficar com a criança. Zampolli nega tudo. Diz que apenas informou as autoridades sobre a situação migratória da ex.
View this post on Instagram
Agora, meses depois, o mesmo Zampolli vai à televisão italiana e generaliza: todas as brasileiras são “programadas” para bagunçar. Incluindo, obviamente, a mãe do próprio filho.
É o clássico: o poderoso que usa o aparelho de Estado para resolver briga doméstica e, quando a ex reage, transforma a história toda numa estereotipada “confusão de brasileira”. Programa genético, raça maldita, novela das oito. Tudo ao mesmo tempo.
Enquanto isso, Amanda, já no Rio, ameaça contar o que sabe sobre o círculo Trump-Epstein-modelos. Diz que esteve “ao redor” do casal presidencial por 20 anos e que “vai derrubar o sistema corrupto, mesmo que seja a última coisa que faça na vida”.
Confusão? Pode até ser. Mas a programação, pelo visto, não é só das brasileiras. É também dos homens que acham que podem usar o governo dos Estados Unidos como advogado particular de guarda de filho.
Assuntos relacionados:
Ex-modelo brasileira foi deportada após amigo de Trump pedir intervenção do ICE em disputa pela custódia do filho, revela NYT
— Paolo Zampolli (@AMBZAMPOLLI) July 3, 2020


