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Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu de forma visivelmente irritada durante uma entrevista gravada para o programa 60 Minutes, da CBS, ao ser confrontado com trechos de um manifesto escrito pelo atirador que tentou invadir o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no sábado (25).
Na entrevista exibida no domingo (26), a jornalista Norah O’Donnell leu para Trump uma passagem do documento atribuído a Cole Tomas Allen, de 31 anos, em que o suspeito acusa “oficiais da administração” de serem “pedófilo, estuprador e traidor”. Trump interrompeu a repórter e negou veementemente as acusações.
“Eu estava esperando que você lesse isso, porque eu sabia que você leria. Vocês são pessoas horríveis”, disse Trump, segundo transcrições e relatos de veículos como Politico, The New York Times e CBS News. “Eu não sou um estuprador. Eu não estuprei ninguém. Eu não sou um pedófilo. Com licença. Eu não sou um pedófilo.”
O presidente chamou o atirador de “pessoa doente” e criticou duramente a jornalista: “Você deveria ter vergonha de si mesma por ler isso. Você não deveria estar lendo isso no 60 Minutes. Você é uma desgraça.”
O incidente
Cole Tomas Allen, professor da Califórnia, foi preso após tentar invadir um ponto de segurança no hotel Washington Hilton, armado com espingarda, pistola e facas. Houve troca de tiros com agentes do Serviço Secreto — um agente ficou ferido, mas protegido pelo colete à prova de balas. Trump e a primeira-dama, Melania Trump, foram rapidamente protegidos e evacuados para o chão, mas ninguém morreu.
Minutos antes do ataque, Allen enviou mensagens à família, incluindo o que autoridades descrevem como um manifesto. No texto, ele se desculpa com parentes e colegas, mas justifica a ação ao afirmar que não conseguia mais “permitir que um pedófilo, estuprador e traidor” manchasse suas mãos com crimes. Embora não cite Trump nominalmente, o contexto indica que se refere a autoridades da atual administração.
Contexto da entrevista
A entrevista ao 60 Minutes foi gravada no domingo, um dia após o incidente. Trump elogiou o Serviço Secreto, disse que “não ficou preocupado” e que o mundo é “louco”. Ele também associou as acusações indiretamente ao caso Jeffrey Epstein, afirmando ter sido “totalmente exonerado” e sugerindo que “amigos do outro lado” (democratas) teriam ligações maiores com o financista.
O episódio ocorre em meio a uma série de tensões entre Trump e parte da imprensa tradicional. A reação do presidente reforça seu estilo confrontacional, frequentemente usado contra o que ele classifica como “fake news”.
Até o momento, Allen enfrenta acusações federais graves. As investigações prosseguem para determinar motivações exatas, incluindo possíveis elementos ideológicos e de saúde mental.


