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Washington – As prisões realizadas pela Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) registraram uma queda média de quase 12% em âmbito nacional nas semanas seguintes às mortes de dois cidadãos americanos por agentes federais em Minneapolis e à subsequente reorganização na liderança das operações de imigração.
De acordo com análise de dados da Associated Press (AP), o volume semanal de detenções caiu de uma média de 8.347 para 7.369 nas cinco semanas após o anúncio de redução de operações feito pelo “czar das fronteiras” Tom Homan. Embora ainda significativamente superior aos patamares observados durante a administração Biden, o recuo representa uma mudança de ritmo clara em relação ao pico alcançado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, quando as detenções mensais se aproximaram de 40 mil.
O ponto de inflexão ocorreu no final de janeiro. A morte de Renee Good e Alex Pretti, dois cidadãos americanos, durante operações de imigração em Minneapolis, gerou forte repercussão negativa, protestos e críticas à abordagem considerada excessivamente agressiva do governo. As mortes provocaram questionamentos sobre o uso da força e levaram a uma reestruturação na cúpula do aparato migratório.
Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira que se tornara figura pública das ações mais duras, foi afastado. Tom Homan, enviado a Minnesota para redefinir a estratégia, anunciou o recuo gradual das operações no estado em 4 de fevereiro.
A análise da AP, baseada em registros oficiais da ICE, mostra que o declínio nas prisões não foi uniforme em todo o país, mas ocorreu de forma generalizada após o episódio de Minneapolis e a troca de comando. Pesquisas de opinião indicam que parte significativa da população considerou que as ações no Minnesota foram longe demais, o que pode ter contribuído para a moderação no ritmo das detenções.
Mesmo com a redução, os números permanecem elevados em comparação com períodos anteriores. O governo Trump mantém uma política de enforcement rigorosa, mas o caso de Minneapolis evidenciou os limites políticos e operacionais de uma abordagem exclusivamente repressiva.
A queda nas detenções ocorre em um momento de intenso debate sobre imigração, com o governo equilibrando promessas de deportações em massa e a necessidade de conter reações adversas da opinião pública.


