Brasília – Por 42 votos contrários a 34 favoráveis, o Plenário do Senado Federal rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias (conhecido como “Bessias da Dilma” por sua proximidade com o PT), advogado-geral da União, para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A votação secreta representou a primeira rejeição de um nome indicado ao STF desde 1894, ainda na Velha República, há 132 anos.
A aprovação exigia o apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores. Messias, indicado por Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, obteve apenas 34 votos a favor. A derrota marca o maior revés legislativo do governo petista desde o início do terceiro mandato.
Fontes próximas ao Palácio do Planalto afirmam que Lula já sinalizava a aliados, antes mesmo da votação, que não enviaria outro nome ao Senado caso Messias fosse rejeitado. O presidente deve manter a vaga em aberto pelo resto do ano, adiando eventual nova indicação para 2027.
A rejeição foi interpretada nos bastidores como uma vitória do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e do bloco centrão, que resistiram à articulação do governo. Analistas políticos veem a mão de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na movimentação contra Jorge Messias.
“A rejeição de Messias é uma vitória clara para Alcolumbre e para o Senado como filtro real do STF, mas ele vai ter que lidar com o efeito rebote disso”, avaliam analistas políticos.
O governo atribuiu o resultado a “chantagem política” e articulações da oposição, enquanto a base aliada minimizou o impacto. A decisão recoloca o Senado como ator relevante no processo de escolha de ministros da Corte, quebrando a tradição de aprovações quase automáticas desde a redemocratização.


