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PRESIDENTE PRUDENTE (SP) – No fim de semana passado (26 e 27 de abril de 2026), agentes da Polícia Federal bateram à porta de um morador chamado Marcelo. O “crime”? Uma faixa simples, com apenas a palavra “ladrão”, pendurada na janela do apartamento.
Não havia nome. Não havia foto. Não havia “Lula ladrão”. Apenas uma palavra genérica, exposta dentro da própria casa. Os agentes, porém, não tiveram dúvida: a faixa “fazia referência ao presidente” e poderia ser crime contra a honra. Um deles foi claro: “superiores não vão deixar”. Marcelo respondeu o que qualquer pessoa de bom senso diria: “Não coloquei nome nenhum”.
A PF confirmou, em nota, que agiu para apurar possível ofensa à honra de Lula.
E aqui o ridículo vira tragédia
A carapuça serviu tão bem que o governo precisou acionar a Polícia Federal para subir escadas e arrancar uma sílaba da janela de um cidadão comum. Se “ladrão” não tem nada a ver com o mandatário, por que tanto pânico? Por que mandar federais atuarem como fiscais de varanda? A resposta é patética: o próprio Palácio do Planalto vestiu a carapuça, apertou o laço e ainda mandou a PF conferir se ficou bom.
Isso não é segurança presidencial. É censura prévia barata, disfarçada de protocolo. É o Estado autoritário dizendo ao brasileiro: você pode até pensar mal de nós, mas não ouse escrever — nem em casa, nem com uma palavra só. Uma única palavra. E o aparato repressivo se mobiliza como se fosse uma bomba.
O mais vergonhoso é a justificativa oficial: “crime contra a honra”. Honra de quem? De um presidente que se reconheceu instantaneamente no adjetivo genérico? Se dói tanto, o problema não está na faixa. Está em quem a leu e sentiu o sapato apertar.
Não é a primeira vez que o poder se assusta com palavras. Mas observe o padrão hipócrita.
Durante o governo Bolsonaro, a esquerda gritou “ditadura” e “censura” quando o ex-presidente usou a Lei de Segurança Nacional contra críticos ou quando houve tentativas de controlar portais e redes. Havia excessos? Sim. Mas eram criticados abertamente, com a mídia e o STF posando de guardiões da democracia.
Agora, no terceiro mandato do PT, a Polícia Federal é enviada para uma janela de apartamento por causa da palavra “ladrão”. Sem processo, sem juiz, sem nada. Apenas uma batida na porta com recado de “superiores”. Onde estão os mesmos defensores da liberdade que uivavam contra Bolsonaro? Silenciosos ou justificando. Porque, quando o autoritarismo veste vermelho, vira “protocolo de segurança”.
Nos governos Dilma e Lula vimos o aparelhamento da PF, a perseguição seletiva e o uso de órgãos de Estado contra adversários. Esse é o mesmo PT que posava de vítima da ditadura militar agora usando métodos que cheiram a autoritarismo de conveniência.
Quando um governo precisa da Polícia Federal para censurar uma palavra genérica na janela de um cidadão, não é o morador que está fraco. É o governo que se sente nu, exposto e incapaz de suportar o mínimo de ironia.
Marcelo tirou a faixa. Provavelmente para evitar mais dor de cabeça. Mas a palavra continua ecoando — agora amplificada por toda a imprensa e redes. Graças à PF, “ladrão” virou símbolo nacional.
O governo que se diz democrático transformou uma janela em caso de polícia. E a carapuça, infelizmente para eles, não só serviu como ficou marcada na testa.
Vergonha alheia não resolve. Mas, pelo menos, serve para lembrar: liberdade de expressão não é favor do poder. É direito. Mesmo quando o poder se sente ofendido por uma única palavra.
Leia a íntegra da nota da PF:
“A Polícia Federal informa que realiza, de forma rotineira, ações de segurança voltadas à proteção de autoridades, conforme protocolos estabelecidos.
“No caso mencionado, foram realizadas diligências iniciais e orientações no local, em razão da presença de faixas com dizeres que, em tese, poderiam configurar crime contra a honra, nos termos da legislação vigente.
“Esclarece-se que os procedimentos e práticas relacionados à proteção de autoridades não são detalhados publicamente, em razão da natureza das atividades.
“Informações como estratégias de atuação, protocolos operacionais e demais aspectos sensíveis são resguardados, tendo em vista que sua divulgação pode comprometer a segurança das pessoas protegidas e a efetividade das ações.”


