Edel Holz
Minha mãe se chamava Emerenciana, mas seu apelido era Netinha. Um pessoal! Educadíssima, super prendada, estudou em um internato de freiras em São Sebastião do Paraiso Tocava piano, pintava, bordava e tocava acordeom Mamãe cozinhava maravilhas. Seu vatapá era pra baiano nenhum botar defeito!
E o pudim de claras, o charuto, o arroz mexicano, e os doces? Adorava um guaraná e quando bebia cerveja estralava a língua e fazia um Ahhhh de gostosura no nal. Mamãe me mandou uma festa de aniversário inteirinha pelo Sedex.
O bolo, claro, chegou azedo e as empadas enfarofaram! Viraram farofa! Mamãe usava um conjunto de saia e blusa com umas uvas printadas no tecido que ela não tirava e a gente chamava de “bate enxuga”. Ela não era de briga. Me dizia que me amava e eu graças a Deus a amei muito e ela sabia disso. No dia dos Namorados, me dava um urso escrito I love you nele porque eu não tinha namorado.
Agora é dia das Mães e não tenho como não lembrar dela. As mães não deviam morrer. Tem quem diga:- As Mães não morrem. Se encantam!
SOBRE A COLUNISTA: Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista, diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos. Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas vinda à poderosa e de mente efervescente Edel.


