Eliana Pereira Ignacio
Olá, meus caros leitores… Embora o Dia das Mães já tenha passado, há reflexões que não pertencem apenas a uma data. Algumas verdades continuam ecoando depois das homenagens, das ‑ ores e das palavras bonitas. E dando sequência na nossa serie de transformação hoje trago uma delas: ser mãe também transforma.” Na semana passada, falamos sobre a coragem de se transformar.
Sobre reconhecer que mudar exige mais do que perceber os próprios erros ou limitações — exige disposição para reconstruir a si mesmo. E talvez existam poucas experiências humanas que transformem tanto uma pessoa quanto o ato de cuidar continuamente de outra vida. Porque existem transformações que o mundo aplaude. E existem aquelas que acontecem em silêncio.
A maternidade pertence, profundamente, a esse segundo lugar. Ser mãe não transforma apenas o corpo, a rotina ou os dias. A maternidade transforma a alma. Transforma a forma de sentir, de perceber o mundo, de dormir, de esperar, de temer… e, principalmente, de amar. Mas hoje, eu não gostaria de falar apenas das mães biológicas.
Gostaria de falar também das avós que voltaram a maternar quando já estavam cansadas. Das tias que acolheram como mães. Das madrinhas que sustentaram afetos. Das mulheres que cuidaram de filhos que não nasceram de seus corpos, mas floresceram em seus corações.
Gostaria de falar das mulheres que, de alguma forma, se tornaram abrigo para alguém. Porque maternar vai muito além de gerar. Maternar é permanecer. E poucas experiências humanas exigem tantas mudanças internas quanto o cuidado constante.
Há mudanças silenciosas que ninguém vê. Ninguém vê a mãe que chora no banheiro para não preocupar os filhos. Ninguém vê a avó que diz estar tudo bem, mesmo carregando dores no corpo e no coração. Ninguém vê a mulher que vive exausta, mas continua tentando oferecer amor mesmo quando já não sabe de onde tirar forças.
A sociedade costuma romantizar a maternidade, mas raramente fala sobre o peso emocional que tantas mulheres carregam silenciosamente. O medo de não ser suficiente. A culpa constante. O cansaço acumulado. A sensação de ter se perdido de si mesma enquanto cuidava de todos.
E talvez uma das mudanças mais dolorosas da maternidade seja exatamente esta: muitas mulheres passam anos sendo tudo para todos… e acabam se afastando de si mesmas. Na prática clínica, vemos isso com frequência. Mulheres fortes aos olhos do mundo, mas emocionalmente sobrecarregadas por dentro. Mulheres que aprenderam a suportar tudo, mas quase nunca aprenderam a se acolher. E, ainda assim, continuam. Continuam porque amam. Continuam porque alguém depende delas. Continuam porque carregam uma força que muitas vezes nem elas mesmas conseguem explicar.
Mas hoje, eu gostaria de dizer algo importante a essas mulheres: Você não precisa ser perfeita para ser importante. Você não precisa dar conta de tudo para ser valiosa. E não precisa esconder o próprio cansaço para provar amor. Existe humanidade também na mãe que se fragiliza.
Existe amor também na mulher que precisa parar. Existe coragem também naquela que admite que está cansada. Ser mãe também transforma porque obriga muitas mulheres a se reconstruírem inúmeras vezes ao longo da vida. Há mães aprendendo a deixar os filhos crescerem. Há avós aprendendo a ver os netos seguirem caminhos próprios. Há mulheres tentando reencontrar seus sonhos depois de anos vivendo apenas para cuidar. E tudo isso também faz parte da maternidade. Porque maternar não é apenas ensinar alguém a viver.
É também aprender, repetidamente, a renascer dentro das mudanças da vida. Sob a perspectiva cristã, existe algo profundamente sagrado no cuidado. Em cada gesto silencioso de amor, paciência e renúncia, existe uma expressão da graça de Deus atuando através de mãos humanas. Talvez por isso tantas mães carreguem uma força tão difícil de explicar — porque há amores que não nascem apenas da obrigação, mas da entrega genuína da alma.
E hoje, eu gostaria de deixar um olhar de ternura para todas essas mulheres que, de alguma forma, são ou foram mães. Às que geraram. Às que criaram. Às que acolheram. Às que perderam. Às que continuam tentando. Às que amam em silêncio. Que vocês nunca se esqueçam de algo essencial: Mesmo quando ninguém percebe… o amor que vocês oferecem e ou ofereceram sempre deixa marcas eternas em alguém.
E talvez essa seja uma das formas mais profundas de transformação que existem. “Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei”. Isaías 66:13 Até a próxima semana
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


