Por JSNews – 27 de maio de 2026
Uma tripulação ucraniana da 78ª Brigada de Assalto Aéreo Separada realizou um dos tiros indiretos mais longos já registrados com um canhão de veículo blindado na guerra: 11.100 metros (quase 11 km ou o equivalente a 121 campos de futebol).
O artilheiro, conhecido pelo callsign “Khilya”, relatou ao canal Army TV (ligado ao Ministério da Defesa da Ucrânia):
> “O tiro mais distante que eu dei foi de uma posição fechada. Foram 11 quilômetros. A 11.100 metros, acertei diretamente o prédio onde eles estavam.”
A ação foi realizada com o B1 Centauro italiano (versão original de 105 mm), um destruidor de tanques sobre rodas 8×8. Operando em “posição fechada” — ou seja, sem linha de visão direta, como uma peça de artilharia —, a tripulação usou munição HE comum e acertou o alvo com precisão notável.
O comandante da viatura, callsign “Director”, explicou o contexto atual do campo de batalha:
> “Hoje em dia, avançar tanque contra tanque é muito difícil por causa da quantidade enorme de drones FPV e Molniya. Mas de posições fechadas, o tiro é muito preciso.”
A viatura ucraniana estava equipada com gaiolas anti-drone para aumentar sua sobrevivência.
O que isso significa para o Brasil?
O Exército Brasileiro está em fase avançada de aquisição da versão atualizada desse mesmo veículo: o Centauro II-BR (ou VBC Cav MSR 8×8).
Diferente do modelo usado na Ucrânia (105 mm rifled, anos 90), o Centauro II brasileiro conta com:
- Canhão 120 mm smoothbore de alto desempenho (padrão OTAN, mais potente e compatível com munições modernas);
- Blindagem superior (proteção modular contra até 40 mm na frente);
- Sistemas de mira e controle de fogo de última geração (térmico, laser, balística computorizada);
- Maior mobilidade e proteção contra minas e IEDs.
O contrato prevê a entrega de 96 unidades até 2033, com custo total estimado em torno de R$ 5 bilhões (incluindo suporte logístico, treinamento e transferência de tecnologia). Dois protótipos já estão no Brasil para testes operacionais, e as entregas em série devem começar nos próximos anos.
Especialistas apontam que, com o canhão 120 mm e eletrônica mais avançada, o Centauro II-BR tem potencial para repetir ou superar feitos como o tiro de 11,1 km, especialmente em cenários de fogo indireto e apoio de longo alcance.
Enquanto a guerra na Ucrânia mostra a adaptação criativa de equipamentos ocidentais contra drones e artilharia, o Brasil se prepara para incorporar uma frota moderna de caça-tanques sobre rodas que combina mobilidade, poder de fogo e proteção — elementos essenciais para a defesa das fronteiras e operações de projeção de força.
O Centauro II chega em um momento em que veículos leves como o Guarani (6×6, canhão de 30 mm) atuam como apoio à infantaria, enquanto o Centauro fornece o “soco pesado” de cavalaria.
Fica a lição: mesmo um veículo com blindagem relativamente leve, quando usado com inteligência e de posições seguras, pode ser extremamente letal a grandes distâncias. O Brasil está apostando exatamente nisso.


