Cidade do México (JSNEWS) — O governo mexicano anunciou que iniciará ações legais e civis nos Estados Unidos para proteger os direitos humanos de seus cidadãos, após a morte de Lorenzo Salgado Araujo, imigrante mexicano abatido a tiros por um agente da Imigração e Alfândega (ICE) na terça-feira, em Houston. O caso é o segundo incidente letal envolvendo agentes federais americanos em menos de sete dias.
Segundo o subsecretário de Relações Exteriores, Roberto Velasco, o México solicitará o apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) para apresentar reclamações formais às procuradorias estaduais americanas e ao Departamento de Justiça dos EUA. O objetivo é responsabilizar os agentes envolvidos nas mortes de mexicanos sob custódia ou em operações do ICE.
“Vamos exigir que os responsáveis sejam devidamente investigados e punidos”, afirmou Velasco. “Não podemos aceitar que mexicanos sejam mortos em operações que, muitas vezes, fogem aos padrões básicos de proporcionalidade.”
O anúncio ocorre em meio a uma escalada de tensão. Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, ao menos 17 mexicanos morreram em casos relacionados a ações de imigração, segundo dados preliminares do governo mexicano. O caso de Salgado Araujo ganhou destaque porque o imigrante não era o alvo da operação: ele foi morto durante uma parada de trânsito rotineira.
Segundo incidente em menos de uma semana
A morte no Texas não foi isolada. Na última segunda-feira, em Biddeford, no Maine, outra pessoa morreu num tiroteio que envolveu agentes do ICE. O presidente da Câmara de Representantes do estado, Ryan Fecteau, confirmou o ocorrido e informou que a Polícia Estadual, o Departamento de Segurança Pública e o FBI já investigam o caso.
“Uma pessoa morreu. O ICE esteve envolvido”, escreveu Fecteau em rede social. Autoridades locais descartaram, por enquanto, ameaça ao público, mas pouco detalharam o episódio.
O tiroteio no Maine reacendeu protestos e cobranças de transparência sobre o uso da força por agentes federais. No início do ano, duas outras mortes — da mãe de família Rene Good e do enfermeiro Alex Pretti, ambos em Minneapolis — já haviam provocado forte reação contra as operações do governo Trump.
O governo mexicano tem evitado confrontos diretos com Washington, mas a sucessão rápida de óbitos de cidadãos mexicanos tem obrigado o presidente a adotar posição mais firme. Analistas veem o anúncio de ações legais como um gesto de pressão diplomática para conter excessos do ICE, cuja atuação tornou-se mais agressiva desde o retorno de Trump ao poder.
Até o momento, nem o ICE nem o Departamento de Segurança Nacional (DHS) comentaram oficialmente os dois casos mais recentes.


