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LOWELL (EUA) – A advogada Robin Gagne reagiu com veemência à classificação feita pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE), que definiu seu cliente, o brasileiro Guilherme Campos-Candido, como “um estrangeiro criminoso”. Em declaração exclusiva ao jornal The Sun, a defensora afirmou que o réu não possui qualquer antecedente criminal e acusou a agência federal de manipular os fatos para justificar a prisão.
“Meu cliente não tem histórico criminal nenhum. A declaração da ICE é enganosa. Fora as acusações pendentes atuais, ele nunca teve qualquer envolvimento com a lei”, disse Gagne.
A advogada reforçou que Campos-Candido chegou aos Estados Unidos com a família e solicitou asilo. Após a negativa do pedido, seus pais deixaram o país voluntariamente. Ele tinha audiência marcada para 8 de setembro na corte de imigração. “Ele não é um criminoso até que um júri o condene. Constitucionalmente, presume-se inocente até prova em contrário”, afirmou.
Gagne ainda criticou duramente o tom adotado pela ICE: “Desde quando a agência decide quem é um ofensor violento? Agora eles também determinam culpa? Eles são repugnantes.”
O acidente e as investigações
Campos-Candido é acusado de deixar o local do atropelamento que matou Leah Kahare, de 29 anos, na noite de 24 de maio. Segundo a polícia de Lowell, por volta das 21h30, a vítima atravessava a Pawtucket Boulevard, próximo ao UMass Lowell Bellegarde Boathouse, quando foi atingida por um Ford Explorer preto.
Kahare foi socorrida, mas morreu cerca de 35 minutos depois no hospital.
A investigação contou com provas técnicas e testemunhais consistentes:
- Imagens de câmeras de vigilância;
- Registros de câmeras de leitura automática de placas (Flock);
- Uma ligação que o brasileiro teria feito a um familiar logo após o acidente.
De acordo com o relatório policial, Campos-Candido disse ao familiar que estava fazendo entregas para o Uber Eats, parou por alguns segundos após o impacto “para ver o que havia atingido” e fugiu em seguida por medo.
Uma testemunha relatou ter visto Kahare sentada em um banco, aparentemente mal, pouco antes do acidente. Pouco depois, encontrou a jovem caída na pista, cercada por destroços e com os tênis espalhados na via.
O brasileiro se apresentou à polícia de Lowell dois dias após o ocorrido.
Desdobramentos no tribunal
Na quarta-feira (28), o juiz Mark Fabiano fixou fiança de US$ 7.500, determinou a entrega do passaporte, proibiu o réu de dirigir e ordenou o uso de tornozeleira eletrônica. A fiança foi paga no mesmo dia.
No dia seguinte, porém, agentes da ICE o detiveram no próprio tribunal com base em mandado de imigração, interrompendo a colocação do equipamento de monitoramento. Diante disso, o juiz expediu mandado de prisão.
Campos-Candido permanece detido no Strafford County Department of Corrections, em Dover, New Hampshire, aguardando processo de deportação. Ele deve comparecer novamente ao Lowell District Court no dia 25 de junho para audiência de causa provável.


