Vientiane (Laos), 23 de julho de 2026 (JSNEWS) – Pelo menos 26 brasileiros foram detidos pela polícia do Laos durante uma megaoperação contra uma rede internacional de fraudes virtuais na capital Vientiane, informaram autoridades locais e fontes consulares brasileiras nesta quarta-feira. Organizações não governamentais suspeitam que parte dos detidos sejam vítimas de tráfico de pessoas.
A ação policial ocorreu no dia 11 de julho e visou sete residências alugadas pela empresa Camce Investment, segundo relatórios da polícia laosiana. No total, 122 pessoas foram presas, incluindo cidadãos chineses, malaios, birmaneses e de outras nacionalidades. Os 26 brasileiros, entre eles oito mulheres, foram encontrados em uma das propriedades.
A operação faz parte de uma ofensiva mais ampla do Laos contra centros de cibercrimes e apostas ilegais, que se multiplicaram na região do Triângulo Dourado, na fronteira com Mianmar e Tailândia. Segundo o primeiro-ministro Sonexay Siphandone, mais de 4.400 suspeitos foram detidos no primeiro semestre de 2026 em ações semelhantes.
A ONG **The Exodus Road Brasil**, especializada no combate ao tráfico humano, acompanha o caso e expressou preocupação de que muitos dos brasileiros possam ter sido aliciados com falsas promessas de emprego e depois explorados em “fábricas de golpes” online. Nessas redes, vítimas são frequentemente forçadas a aplicar fraudes digitais, como estelionatos via internet, criptomoedas falsas ou golpes sentimentais, sob ameaça de violência e retenção de documentos.
O Itamaraty confirmou que a Embaixada do Brasil em Bangkok, responsável pelo atendimento consular no Laos, está monitorando a situação e mantendo contato com as famílias dos detidos. “O atendimento consular é prestado a partir de contato do cidadão ou de sua família”, afirmou a chancelaria em nota, sem confirmar a hipótese de tráfico.
Casos semelhantes têm se multiplicado nos últimos anos no Sudeste Asiático. Brasileiros são atraídos por anúncios em redes sociais que oferecem vagas bem remuneradas em call centers ou empresas de tecnologia, mas acabam em complexos controlados por máfias, muitas vezes de origem chinesa, onde são submetidos a trabalho forçado.
Autoridades laosianas ainda não divulgaram detalhes sobre as acusações específicas contra os brasileiros. A investigação prossegue, e as embaixadas envolvidas acompanham o processo judicial.


