Washington – Depois de meses de atraso, a Immigration and Customs Enforcement (ICE) finalmente divulgou os dados de suas operações migratórias. Em junho de 2026, a agência e o Customs and Border Protection (CBP) registraram 43.138 prisões — apenas 2,4% a mais que os 42.107 casos de dezembro do ano anterior. Embora o percentual pareça pequeno, o número absoluto mantém o patamar de uma das maiores operações de fiscalização do segundo mandato de Donald Trump.
A alta de junho contrasta com a queda observada nos meses anteriores, quando a agência deixou de publicar os relatórios exigidos por lei. Em abril, as prisões caíram para 33.083; em maio, para 34.079. O dado de junho inclui um surto concentrado nos últimos cinco dias do mês: cerca de 10 mil detenções, conforme reportado inicialmente pelo The New York Times. Autoridades internas chegaram a tratar 2 mil prisões diárias como “novo padrão”. No entanto, nos primeiros 11 dias de julho, a média diária recuou para 1.474, segundo análise do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), centro independente da Universidade de Syracuse.
A falta de detalhamento geográfico reforça a opacidade. Diferentemente de relatórios anteriores, a ICE não informou onde ocorreram as operações, deixando o público sem clareza sobre alvos prioritários — se grandes cidades, fronteiras ou interior do país.
O histórico da agência sugere que esses picos são difíceis de manter. Logo após a posse de Trump, em 2025, a ICE registrou aumento inicial e chegou a divulgar números diários nas redes sociais. Quando os volumes caíram, as atualizações pararam. Relatórios anteriores do TRAC já haviam destacado a discrepância entre comunicados oficiais de “aumento vertiginoso” e os números concretos, que mostravam crescimento modesto ou estabilização.
Dados complementares dos tribunais de imigração indicam pressão paralela no sistema. Em junho, os juízes encerraram 100.773 casos — recorde —, com 78.882 ordens de remoção (alta de 30% em relação a março). A proporção de deportações entre os casos concluídos subiu para 78%, enquanto o alívio (concessão de proteção ou status legal) ficou abaixo de 2%. Estados como Illinois registraram aumento de 120% nas ordens de remoção; haitianos e dominicanos figuram entre as nacionalidades com maior crescimento nas decisões de saída.
A população em detenção federal segue elevada, acima de 65 mil pessoas. Embora autoridades como o assessor Tom Homan celebrem o ritmo como “recorde”, análises independentes apontam que parcela significativa dos detidos não tem condenação criminal prévia — muitos respondem apenas por violações migratórias. O esforço de intensificação, inclusive com determinação de trabalho em sete dias por semana, ocorre em meio a incidentes, como tiroteios fatais durante abordagens em julho.


