WASHINGTON, 29 jul 2026 (JSNEWS) – O programa de autodeportação da administração Trump, conhecido como Project Homecoming, já levou cerca de 132 mil imigrantes irregulares a deixarem os Estados Unidos até 16 de julho e tem outros 70 mil inscritos aguardando a saída. Com isso, a iniciativa está a caminho de superar a marca de 200 mil partidas, segundo dados internos do Departamento de Segurança Interna (DHS) obtidos pelo site Axios.
Lançado em maio de 2025, o programa oferece voo gratuito de volta ao país de origem e um “bônus de saída” em dinheiro. O valor começou em US$ 1 mil, chegou temporariamente a US$ 3 mil no período do Natal de 2025 e está fixado em US$ 2,6 mil desde o final de janeiro. O governo estima que cada autodeportação custa cerca de US$ 2,5 mil (além do bônus), bem abaixo dos aproximadamente US$ 18.245 de uma remoção forçada.
Quase metade das saídas ocorreu com pessoas que estavam detidas em centros da Imigração e Alfândega (ICE). A aceleração começou quando um funcionário ligado ao antigo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) passou a levar equipes do programa para dentro das instalações de detenção. Hoje, gestores do Project Homecoming atuam em cerca de 40 centros. O tempo médio de permanência desses detidos caiu de 50 para 17 dias, liberando vagas em um sistema que enfrentava escassez de leitos.
O ritmo inicial foi lento: nos primeiros seis meses, apenas cerca de 24 mil pessoas aderiram. A Casa Branca, inclusive o vice-chefe de gabinete Stephen Miller, pressionou o DHS por resultados mais rápidos. Fontes ouvidas pelo Axios descreveram cobranças diárias e reuniões semanais de alto nível. “Eles queriam milhares por dia, e estávamos colocando dezenas”, relatou uma fonte.
O governo apresenta o programa como parte da meta de remover 1 milhão de imigrantes irregulares por ano. O “czar da fronteira” Tom Homan já afirmou que incentivar a autodeportação fazia parte do plano desde o início. O DHS projeta economia de US$ 2,5 bilhões com a iniciativa e destaca o sucesso do aplicativo CBP Home. A contratada Salus, responsável pela operação, afirmou estar orgulhosa do apoio “humano e digno” prestado.
O contrato atual, no valor de quase US$ 600 milhões até o momento, deve esgotar os recursos até o fim de agosto. O departamento busca novas propostas, mas não esclareceu se haverá interrupção no atendimento.
Críticos apontam falta de transparência — o DHS não divulga estatísticas oficiais regulares — e questionam se o programa oferece suporte adequado após a chegada ao país de origem. O Migration Policy Institute lembra que iniciativas semelhantes no passado tiveram adesão limitada. Uma fonte familiarizada com a operação criticou a redução do trabalho a “uma planilha para comprar passagens aéreas”, afirmando que a Organização Internacional para as Migrações (OIM) teria dado mais atenção aos direitos e à reintegração dos participantes.
A Casa Branca mantém a linha dura. Em resposta a questionamentos, a porta-voz Abigail Jackson afirmou: “Qualquer pessoa no país ilegalmente deve se autodeportar. Caso contrário, será deportada.”


