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WASHINGTON / BRASÍLIA – O governo dos Estados Unidos revogou nesta terça-feira, 4 de agosto, o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão, anunciada pelo Departamento de Estado, foi apresentada como resposta “recíproca” à demora do governo brasileiro em conceder o agrément – a aprovação diplomática formal – ao indicado de Donald Trump para chefiar a Embaixada americana em Brasília, o deputado estadual da Flórida Daniel Perez.
Autoridades americanas esclareceram que Viotti não foi declarada persona non grata e não será expulsa do país. A diplomata poderá permanecer nos Estados Unidos, mas, se deixar o território americano, precisará solicitar um novo visto. O documento poderá ser restabelecido imediatamente caso o Brasil aprove o nome de Perez.
O pedido formal de agrément chegou a Brasília no final de junho, semanas depois de Trump ter anunciado publicamente a indicação, em 1º de junho. O governo brasileiro rejeitou as justificativas americanas, classificou-as de “falsas” e afirmou que os EUA romperam a praxe diplomática ao divulgar o nome antes da consulta reservada. O Itamaraty e o Palácio do Planalto sustentam que a análise do indicado segue em andamento e que não há prazo definido na Convenção de Viena.
O posto de embaixador americano em Brasília está vago desde janeiro de 2025. Perez, aliado próximo do secretário de Estado Marco Rubio, já obteve aprovação no Comitê de Relações Exteriores do Senado e aguarda votação em plenário.
A sequência de fatos revela, porém, um uso calculado da diplomacia para fins eleitorais. Fontes do próprio governo brasileiro admitiram, ao longo de julho, que não havia pressa em conceder o agrément e que a decisão provavelmente ficaria para depois das eleições de 4 de outubro. O atraso não foi mero trâmite burocrático: configurou-se como escolha deliberada de transformar um impasse técnico em instrumento de campanha.
O ex-embaixador e ex-ministro Rubens Ricupero, voz independente e de reconhecida autoridade, foi direto: o Brasil “errou” ao prolongar a análise e o consentimento deveria ter sido dado em três ou quatro dias. Ao optar pela demora intencional, o governo Lula elevou o custo da crise e reforçou a narrativa de soberania sob ataque – exatamente o tipo de enquadramento que rende dividendos em momento de polarização.
Washington leu corretamente a manobra como “slow-walking” deliberado. Ao condicionar a devolução do visto da embaixadora à aprovação de Perez, os americanos apenas espelharam a lógica de pressão que Brasília já havia adotado. O resultado é um desgaste desnecessário das relações bilaterais, em que interesses permanentes do País – comércio, minerais críticos e cooperação em segurança – ficam subordinados ao calendário eleitoral de curto prazo. Quando a diplomacia vira peça de campanha, perde eficácia e credibilidade.


