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WASHINGTON – A administração do presidente Donald Trump deteve dezenas de pais e cônjuges de militares americanos em serviço ativo após revogar proteções migratórias concedidas às famílias de soldados, segundo investigação da Associated Press publicada nesta quarta-feira.
Mais de 50 cônjuges e pais de militares da ativa foram detidos desde o início do segundo mandato de Trump. Pelo menos seis foram deportados e um deixou o país voluntariamente. Ao menos oito familiares diretos ainda permanecem sob custódia federal. O governo não registra oficialmente esses casos, e o número real pode ser maior.
Durante décadas, cônjuges e pais de militares em serviço ativo foram geralmente protegidos de deportação por consenso bipartidário. Agora, segundo a AP, eles são rotineiramente detidos por meses enquanto tentam regularizar o status por meio de programas disponíveis a parentes de militares. As Forças Armadas continuam a usar esses benefícios como ferramenta de recrutamento.
Especialistas alertam que a mudança pode afetar a prontidão militar, especialmente em meio a conflitos, ao privar soldados de apoio emocional e de cuidadores para os filhos, atrasar destinações e forçar a concessão de licenças.
Um sargento do Exército, Hedar Leonel Turcios Juarez, estacionado em Fort Bliss, no Texas, disse que sua esposa foi detida em julho em frente à filha de 6 anos, em um estacionamento de supermercado. “Como posso me concentrar na minha carreira militar se tenho que me preocupar com o que está acontecendo com minha esposa?”, afirmou.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) declarou que “o serviço militar dos EUA por si só não concede automaticamente status migratório legal nem isenta estrangeiros das consequências de violar as leis de imigração”. O Pentágono se recusou a comentar as descobertas da AP.
A agência afirmou que valoriza as contribuições de quem serviu nas Forças Armadas, mas reforçou que o serviço militar não isenta de fiscalização.
A política, implementada em abril de 2025, marca uma mudança em relação a administrações anteriores, incluindo o primeiro mandato de Trump. Ex-funcionários do ICE disseram que, no passado, raramente se detinha familiares imediatos de militares em serviço ativo, salvo em casos de crimes violentos.
Alguns casos geraram reação pública e intervenção do secretário de Segurança Interna para liberação de parentes. A AP baseou a reportagem em registros judiciais, cobertura jornalística e entrevistas com familiares e advogados.


