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WASHINGTON – Um relatório divulgado nesta quarta-feira (5) pela organização America’s Voice estima que as operações intensificadas de deportação conduzidas pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) sob a administração do presidente Donald Trump têm gerado impactos econômicos mensuráveis, incluindo perda de empregos, aumento de preços em setores específicos e redução da atividade comercial em áreas afetadas.
O documento, intitulado “End the ICE Tax” (Acabar com o Imposto ICE), afirma que o reforço dos controles migratórios em 2025 resultou na perda estimada de cerca de 668 mil empregos em centenas de cidades americanas. Desse total, entre 51 mil e 297 mil postos teriam sido ocupados por trabalhadores nascidos nos Estados Unidos, segundo análise de dados de folha de pagamento citada no relatório.
A organização, que defende reformas migratórias favoráveis a imigrantes, destaca ainda um estudo da Wharton School da Universidade da Pensilvânia. A pesquisa, conduzida pelo professor Exequiel Hernandez, analisou milhares de operações do ICE combinadas com dados de fluxo de público e gastos em milhões de estabelecimentos. De acordo com os resultados, após a chegada de operações de fiscalização a uma área metropolitana, os gastos do consumidor caem 6,2% e o fluxo de visitantes recua 2,7% na média das empresas, semana a semana. O impacto seria mais acentuado em pequenos negócios independentes e não se dissiparia rapidamente.
Vanessa Cárdenas, diretora executiva da America’s Voice, afirmou que as políticas de deportação em massa “não só trazem custos para as populações migrantes, mas para todo o país”. Segundo ela, o esforço resulta em gastos elevados do governo e contribui para a elevação de preços de produtos básicos, além de deprimir a atividade econômica em localidades com presença intensa do ICE.
O relatório aponta que 68% dos trabalhadores agrícolas nos EUA são imigrantes (42% indocumentados e 26% com autorização). Produtos fortemente dependentes dessa mão de obra registraram altas superiores à inflação básica de 2,6% no período analisado até junho de 2026: alface (32,1%), maçãs (7,1%), cítricos frescos (6,3%), frutas enlatadas (7,9%) e vegetais enlatados (3,5%).
Nos estados com maior concentração de população estrangeira — Califórnia, Flórida, Nevada, Nova Jersey e Nova York —, o emprego na construção civil teria caído 1,3%, enquanto no restante do país cresceu 3,3% no mesmo intervalo. As licenças de construção residencial também recuaram de forma mais acentuada nessas regiões.
A America’s Voice argumenta que esses efeitos configuram um “imposto ICE” suportado pelos consumidores e empresas americanas. A organização espera que o levantamento sirva de base para discussões com líderes empresariais e representantes eleitos sobre os impactos de longo prazo das políticas migratórias atuais.
O relatório baseia-se em dados oficiais de emprego, preços e estudos acadêmicos independentes, embora seja produzido por um grupo de advocacy. Outros fatores, como condições climáticas e custos de combustível, também influenciam os preços de alimentos, conforme reconhece o próprio documento.
Fontes citadas:
- NEW REPORT: America’s Voice Introduces The “ICE Tax” Report, Revealing How ICE-Led Mass Deportation Drives Up Prices, Eliminates Jobs, and Empties Main Streets – https://americasvoice.org/press_releases/new-report-americas-voice-introduces-the-ice-tax-report-revealing-how-ice-led-mass-deportation-drives-up-prices-eliminates-jobs-and-empties-main-streets/


