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Matías Alejandro Pourrain, de 34 anos, meio campista do Miami United FC (clube semiprofissional da quarta divisão americana), foi detido por agentes do ICE em 6 de agosto de 2026 no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, na Flórida. Ele se preparava para embarcar com a equipe em um voo doméstico para Los Angeles, onde disputaria a final do campeonato nacional da United Premier Soccer League (UPSL). A detenção ocorreu depois que o jogador e seus companheiros já haviam passado pelo controle de segurança da TSA e aguardavam o embarque. Agentes à paisana se aproximaram, pediram seu nome e o separaram do grupo sem tumulto, segundo a advogada Regina de Moraes.
A notícia foi divulgada pelo New York Post em 11 de agosto e também pela NBC 6 South Florida. Até esta quinta-feira (13 de agosto), Pourrain permanecia sob custódia no Glades County Detention Center, em Moore Haven (às margens do Lago Okeechobee). Antes disso, passou por um centro de processamento do ICE em Miramar (onde, segundo a defesa, ficou cerca de três dias em condições precárias, em uma cela com dezenas de homens e sem banho) e chegou a ser transferido em direção ao Krome North Service Processing Center, em Miami. Sua advogada apresentou pedido de fiança e solicitou audiência perante juiz de imigração.
O caso ganhou repercussão após o Miami United FC publicar um comunicado oficial no Instagram afirmando que está prestando apoio jurídico ao jogador e à família. O clube se disse “profundamente chocado” com a detenção e declarou estar cooperando com as autoridades para solucionar o caso. Segundo o Miami United, Pourrain está em dia com suas obrigações migratórias: possui pedido de asilo (ou petição de residência) pendente, autorização de trabalho válida, não tem antecedentes criminais e atua também como treinador de crianças na academia do clube. A equipe colocou um advogado à disposição do atleta e mantém contato permanente com a família. No comunicado, o clube enfatizou que Pourrain é “não apenas um jogador excepcional, mas uma pessoa ainda melhor” e que companheiros, treinadores e funcionários estão “firmemente ao lado dele e de sua família”.
A versão do clube e da defesa, no entanto, contrasta com a posição do Departamento de Segurança Interna (DHS). Segundo o governo americano, Pourrain entrou legalmente nos Estados Unidos em 12 de novembro de 2019 pelo Aeroporto de Atlanta, com autorização temporária de seis meses (visto de turista), mas permaneceu no país após o vencimento do período autorizado (11 de maio de 2020), em violação às leis migratórias. O DHS o classifica como “alien ilegal”, informa que ele permanece sujeito a processo de remoção e continuará sob custódia do ICE enquanto o caso tramita, com direito a due process. A agência também incentivou a autodeportação voluntária por meio do aplicativo CBP Home, com oferta de US$ 2.600 e voo gratuito.
A advogada Regina de Moraes destaca que o cliente não tem histórico criminal (confirmado em consultas a registros de Miami-Dade e Broward) e que a detenção se dá em uma “área cinzenta” da lei, já que o pedido migratório ainda não foi aprovado nem negado. Ela atribui o caso a políticas de imigração mais rigorosas e observa o aumento de prisões de imigrantes em aeroportos, mesmo em voos domésticos. A família e o clube esperam a liberação sob fiança enquanto o processo segue.


