JSNEWS
WASHINGTON – A Immigration and Customs Enforcement (ICE) prendeu 49.571 pessoas em julho, o maior número mensal registrado no segundo mandato do presidente Donald Trump, segundo dados do governo analisados pela Associated Press. O total representa aumento de 15% em relação às 43.021 prisões de junho e de 70% em relação às 29.241 de fevereiro.
Os números mostram que a administração mantém a política de deportações em massa, apesar de ter abandonado as operações massivas em grandes cidades, que geraram forte reação pública no início do ano. As novas táticas são menos visíveis, mas continuam disruptivas.
A ICE tem intensificado abordagens em blitz de trânsito e reforçado parcerias com polícias estaduais e locais. Essas parcerias, conhecidas como acordos 287g, responderam por 6.500 prisões em julho — cerca de 13% do total. Um ano antes, representavam menos de 5%. Texas e Flórida concentraram quase 20 mil das detenções do mês.
Mais da metade das pessoas presas em julho não tinha condenação criminal nem enfrentava acusações. Menos de um quarto havia sido condenado por algum crime. Metade das prisões foi feita na comunidade, e não em presídios ou cadeias locais.
A agência também passou a prender haitianos que perderam proteções temporárias contra deportação. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, havia prometido, em sua audiência de confirmação, manter a ICE longe das manchetes. Os dados, no entanto, indicam que a meta de deportações em massa permanece prioridade.
Os números foram obtidos pelo Deportation Data Project, das universidades da Califórnia em Berkeley e UCLA, por meio de processo de acesso à informação. O Departamento de Segurança Interna praticamente deixou de divulgar estatísticas oficiais desde o início do segundo mandato de Trump.


