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AUSTIN / WASHINGTON — Um agente do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) baleou e feriu um venezuelano de 28 anos no norte de Austin, no Texas, no domingo, 20. O Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona o ICE, e fontes federais de aplicação da lei afirmam que o homem tentou empreender fuga após a abordagem e que já era alvo de ordem definitiva de remoção. Autoridades locais confirmam uma perseguição de veículo e uma breve perseguição a pé, mas ainda não divulgaram a sequência completa dos disparos.
O ferido foi identificado pela advogada Kate Lincoln-Goldfinch como Wilber Rafael Garcés Pérez (também grafado Garces Perez). Segundo ela, ele fazia uma entrega pelo aplicativo DoorDash quando foi interceptado. A empresa confirmou que o motorista estava em serviço. Garcés ligou para a mulher de dentro do carro, gritou que havia sido baleado e a linha caiu. O Serviço de Emergência Médica de Austin-Travis County registrou o chamado por volta das 12h56, no quarteirão 8000 da Anderson Square, junto à rodovia US 183. O homem foi atingido uma vez no torso, segundo o chefe do EMS, Robert Luckritz, e levado ao Dell Seton Medical Center em estado grave, mas estável. No fim da tarde, a família foi informada de que ele havia tido alta e sido entregue à custódia do ICE. Até a madrugada desta segunda-feira, 21, a defesa dizia desconhecer o paradeiro exato do cliente.
O ponto central da narrativa do governo americano é que Garcés não teria se submetido à parada. Fontes federais disseram à NewsNation que ele tinha ordem final de deportação e fugiu dos agentes de imigração antes de ser baleado. O Departamento de Segurança Pública do Texas (DPS) informou ter recebido, por volta das 12h50, pedido do ICE para auxiliar numa perseguição de veículo — um Toyota Corolla azul. Quando os troopers estaduais chegaram, o tiroteio já havia ocorrido. A chefe da polícia de Austin, Lisa Davis, disse em coletiva que, pelas informações preliminares, o agente do ICE disparou durante uma **“pequena perseguição a pé”** depois de uma abordagem de trânsito. A polícia municipal não participou da operação nem do disparo.
Em nota no X, o DHS descreveu o caso como “tiroteio envolvendo oficial” contra “um alien ilegal da Venezuela, que entrou ilegalmente no país sob a administração Biden e tinha ordem final de remoção, durante operação de aplicação da lei em Austin”. O departamento afirmou que o ferido está estável e “em custódia federal à espera de remoção”. A investigação ficou a cargo da Homeland Security Investigations, com apoio do FBI.
Não há, até agora, relato oficial de que Garcés tenha atacado o agente, empunhado arma ou ferido alguém. A alegação federal, no que concerne à conduta no local, concentra-se na fuga — de carro e, em seguida, a pé — após a abordagem.
Lincoln-Goldfinch disse inicialmente acreditar que o cliente não tinha antecedentes criminais nem ordem final de remoção; depois declarou à Associated Press que não sabia o status imigratório atual, porque ainda não havia conseguido falar com ele. Em entrevista, sustentou que, “mesmo que ele tivesse ordem final de remoção, não merecia ser baleado nas costas, abaixo do pescoço”. A advogada afirmou ter visto fotos do ferimento e vídeo do incidente e cobrou a divulgação das câmeras corporais. Também disse que, pelas informações de que dispunha, Garcés havia entrado legalmente no país e já tivera autorização de trabalho. O DHS e fontes de aplicação da lei contestam esse ponto.
No local, um Corolla azul ficou sob o viaduto com danos na porta do passageiro e o que a imprensa local descreveu como furos de bala no vidro traseiro. O vereador Mike Siegel, que mora nas proximidades, alegou que um agente teria colidido com o carro e depois disparado várias vezes. A chefe Davis disse, na coletiva, que essa não era a versão que estava ouvindo e reiterou a perseguição a pé — sempre com a ressalva de que os dados eram preliminares e que ela ainda não havia sido briefada pelos parceiros federais.
O prefeito democrata Kirk Watson classificou o episódio como motivo de “raiva”, embora “não de surpresa”, diante do aumento recente de operações do ICE na cidade. Pediu que a polícia de Austin e os Texas Rangers participem da apuração para haver “olhos de terceiros claros”, e questionou a credibilidade de uma investigação conduzida só pelo ICE. O gabinete do promotor do condado de Travis, José Garza, pediu acesso às provas e alertou para possível infração de lei estadual. O deputado Greg Casar exigiu transparência, filmagens das câmeras e que Garcés não seja deportado enquanto for testemunha do próprio tiroteio.
Cerca de cem pessoas protestaram no local. Houve xingamentos a policiais com escudos e uso de armas não letais perto da manifestação. Alguns manifestantes foram detidos à noite.
O caso ocorre no meio de uma intensificação nacional das operações do ICE no verão americano — com mais de 50 mil detenções mensais em julho e agosto — e depois de outros tiroteios envolvendo agentes federais no Texas e em outros Estados. A sequência exata da abordagem, o número de disparos e o que o agente ordenou verbalmente ainda não foram publicados de forma oficial. A versão do ICE, neste momento, é a de que Garcés tentou fugir depois de ser abordado. A defesa contesta que isso, por si, justifique o uso da arma.
Homeland Security Investigations, with the assistance of the Federal Bureau of Investigation, is leading the investigation into the officer involved shooting of an illegal alien from Venezuela, who illegally entered our country under the Biden administration and had a final order…
— Homeland Security (@DHSgov) September 21, 2026


