WASHINGTON — O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou que o governo federal americano é atualmente menos corrupto do que em grande parte de sua história, mas atribuiu essa mudança não à conduta de uma administração específica, e sim a reformas institucionais que, segundo ele, reduziram práticas como suborno, patronagem e troca de favores políticos.
“People are always surprised when I tell them the federal government is so much less corrupt than probably it’s ever been”, disse Obama, referindo-se especificamente a “pure bribes, or patronage or favors” — subornos, patronagem e favores políticos.
Na avaliação do ex-presidente, parte dessa transformação ocorreu por causa de reformas adotadas antes e depois do escândalo de Watergate, que reduziu o poder das antigas máquinas políticas e dificultou a troca de votos e favores como instrumento de negociação.
Obama, porém, apontou um efeito colateral dessas mudanças. Segundo ele, mecanismos que antes permitiam aos políticos formar coalizões por meio de acordos e favores também funcionavam como uma espécie de “lubrificante” para superar diferenças ideológicas no Congresso. Com sua redução, tornou-se mais difícil construir consensos e aprovar determinadas medidas.
A historiadora Jill Lepore acrescentou à discussão a transformação do sistema político após o enfraquecimento das máquinas tradicionais, enquanto o episódio utilizou o romance de Warren para discutir a relação histórica entre poder, corrupção e funcionamento das instituições americanas.
A declaração de Obama não constitui uma avaliação específica do governo do presidente Donald Trump. O ex-presidente falou sobre uma transformação de longo prazo do governo federal e delimitou sua afirmação a formas tradicionais de corrupção, como suborno, patronagem e favores.
A distinção é relevante porque pesquisas sobre a percepção de corrupção entre os americanos medem um conceito mais amplo do que aquele utilizado por Obama. Assim, a afirmação de que determinadas práticas de corrupção foram reduzidas pelas reformas institucionais não significa que os americanos considerem o governo federal, de maneira geral, menos corrupto.
O podcast de Obama, produzido em parceria com a Higher Ground, tem seis episódios dedicados a livros que, segundo a Audible, influenciaram sua visão de mundo. Entre os convidados estão o ator Tom Hanks, o escritor Ta-Nehisi Coates, o ex-assessor de segurança nacional Ben Rhodes e os autores Percival Everett e Lauren Groff.


