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WASHINGTON — O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) anunciou um aumento da presença da Imigração e Alfândega (ICE) em jurisdições que limitam a cooperação da polícia local com agentes federais — as chamadas “cidades santuário”.
Em nota divulgada no sábado no X, o órgão disse ter iniciado uma “ofensiva” nessas áreas, no âmbito da política de endurecimento migratório do governo Donald Trump. Foram citados Califórnia, Colorado, Connecticut, Delaware, Distrito de Columbia, Illinois, Minnesota, Nova York, Oregon, Rhode Island, Vermont e Washington. O DHS classificou o plano como “ofensiva nacional de segurança pública” e afirmou que o ICE “continuará a prender qualquer estrangeiro irregular que cruzar nosso caminho”, com ênfase em quem teria sido solto por autoridades locais.
O anúncio veio poucos dias depois de um agente federal ferir a tiros, em Austin (Texas), o venezuelano Wilber Rafael Garcés Pérez, de 28 anos, que fazia entrega pelo aplicativo DoorDash. Ele foi internado e, horas depois, transferido à custódia do ICE ainda com o projétil nas costas, segundo a defesa. Há versões conflitantes: o governo descreve tentativa de fuga; Garcés Pérez e a advogada Kate Lincoln-Goldfinch dizem que o carro não identificado o atingiu e que os agentes não se identificaram antes dos disparos. Um juiz federal bloqueou temporariamente a deportação. A polícia de Austin afirmou que seus agentes não participaram.
O New York Times, em levantamento atualizado em setembro, registrou que agentes federais de imigração atiraram em pelo menos duas dezenas de pessoas desde o retorno de Trump à Casa Branca; seis morreram, três delas cidadãs americanas. Os números variam conforme a fonte e o recorte temporal. Críticos ligam o aumento de confrontos à meta de deportações em massa; o governo fala em “os piores dos piores”. Análises independentes, inclusive em Chicago, apontam que parcela relevante dos presos não tinha condenação criminal grave.
Tom Homan, encarregado da fronteira, disse que o ICE “não vai a lugar nenhum” e falou em “inundar a zona” de recursos em cidades santuário. Na semana passada, um cidadão americano ficou ferido num subúrbio de Chicago após confronto com agentes que, segundo a polícia local, o teriam confundido com um foragido.
“Santuário” não é categoria legal única: em geral significa recusar-se a prender ou entregar pessoas só por status migratório, sem mandado judicial. O governo federal argumenta que isso solta quem deveria ser removido. Prefeituras e governos estaduais democratas respondem que imigração é competência federal e que a cooperação irrestrita afasta vítimas e testemunhas da polícia.
O efeito prático do anúncio de sábado ainda é incerto: se haverá novas operações de rua do porte das vistas em Chicago e Los Angeles ou reforço gradual de efetivo. O que o DHS deixou explícito é a prioridade política — pressionar jurisdições que não entregam detidos ao ICE.


