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Juízes de imigração dos Estados Unidos concederam fiança a 2.646 imigrantes em setembro, o maior número mensal registrado em dois anos, segundo levantamento divulgado em 26 de outubro pelo Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), centro de pesquisa da Universidade de Syracuse que acompanha dados do sistema migratório americano. No mesmo mês, os tribunais realizaram quase 10 mil audiências sobre pedidos de fiança, também o maior volume dos últimos dois anos.
Apesar do aumento das liberações, 32.622 imigrantes permaneciam detidos ao final de setembro. O número representa uma redução discreta em relação a agosto, quando os registros judiciais contabilizavam 32.956 pessoas sob custódia. Os dados indicam que a elevação das concessões de fiança não foi suficiente para provocar uma diminuição expressiva do contingente de detidos.
A fiança mediana estabelecida em setembro foi de US$ 7.500. O valor, porém, apresentou diferenças significativas entre as jurisdições. Em Denver, no Colorado, a mediana chegou a US$ 20 mil, enquanto em Bloomington, Minnesota, ficou em US$ 1.500.
As disparidades também aparecem nos números acumulados do ano fiscal de 2026. Denver manteve uma mediana de US$ 20 mil, enquanto Bloomington voltou a figurar entre as localidades com os valores mais baixos, com US$ 3 mil. A diferença evidencia que as condições financeiras impostas aos imigrantes podem variar consideravelmente conforme o tribunal responsável pelo caso.
Mexicanos lideram concessões
Os mexicanos representaram aproximadamente um quarto dos imigrantes que receberam fiança durante o ano fiscal de 2026, segundo o TRAC. Na sequência, aparecem cidadãos da Guatemala e da Venezuela.
A predominância dessas nacionalidades também foi observada nas audiências realizadas em Denver e Bloomington, onde mexicanos constituíram o maior grupo entre os requerentes de fiança. Os números refletem a composição dos casos analisados pelos tribunais, sem indicar, isoladamente, as chances de liberação de cada nacionalidade.
Concessões diminuíram desde 2016
O levantamento também traça um panorama histórico das decisões judiciais sobre fiança ao longo de aproximadamente 25 anos. No início desse período, as taxas de concessão e de negativa estavam praticamente equilibradas, em torno de 50% cada.
A proporção de negativas aumentou nos anos seguintes e atingiu 65,4% no ano fiscal de 2005. Depois disso, a taxa de concessão cresceu gradualmente até 2016. Desde então, a tendência geral se inverteu, com redução das liberações mediante fiança.
No encerramento do ano fiscal de 2026, a taxa de pedidos negados chegou a 66%, nível próximo ao registrado em 2005. Segundo a análise do TRAC, as taxas de concessão diminuíram durante os governos de Donald Trump e Joe Biden, com uma exceção relevante no período da pandemia de Covid-19. Naquela fase, a necessidade de reduzir os riscos de contágio em instalações de detenção esteve associada ao aumento das liberações.
O número de imigrantes detidos também oscilou ao longo da década. O contingente atingiu seu pico no ano fiscal de 2020, caiu acentuadamente durante a pandemia e voltou a variar nos anos seguintes. Ao final dos anos fiscais de 2025 e 2026, os números eram semelhantes aos registrados no encerramento do primeiro governo Trump, em 2020.
Os dados detalhados por tribunal estão disponíveis nas ferramentas públicas do TRAC, que permitem comparar audiências, decisões sobre fiança e valores estabelecidos em diferentes regiões dos Estados Unidos.


