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O governo dos Estados Unidos iniciou uma operação nacional para investigar imigrantes que, segundo autoridades federais, obtiveram indevidamente benefícios do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP), destinado a auxiliar famílias de baixa renda na compra de alimentos. O anúncio foi feito pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) em 21 de outubro de 2026, e a iniciativa foi apresentada como o início de uma ofensiva prolongada conduzida pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Na primeira divulgação oficial, o DHS identificou cinco pessoas detidas: a cubana Elizabeth Povea Rodriguez e quatro cidadãos haitianos — Rubstony Junior Theodore, Wilbert Jean Baptiste, Louis Jean e Jhensly Charles. Segundo o departamento, todos teriam entrado irregularmente nos Estados Unidos e acessado benefícios do programa de assistência alimentar.
A agência, porém, não informou quanto cada um dos cinco teria recebido, onde ocorreram as prisões, como os benefícios teriam sido obtidos ou se foram formalizadas acusações criminais específicas por fraude contra o SNAP. Também não detalhou a situação judicial individual dos envolvidos. Assim, as alegações divulgadas pelo governo não permitem determinar a extensão dos supostos prejuízos nem estabelecer a responsabilidade criminal dos detidos.
O DHS informou que Rodriguez tem uma condenação anterior por conduta desordeira e já foi presa sob acusações de agressão e violência doméstica. No caso de Theodore, a agência mencionou prisões anteriores por furto, obstrução de policiais e invasão de propriedade. Esses registros, conforme apresentados pelo departamento, não equivalem a condenações por fraude no programa alimentar.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou que as pessoas que estão irregularmente no país não deveriam receber benefícios financiados pelos contribuintes americanos. Em comunicado, ele classificou as primeiras detenções como uma etapa inicial de uma operação que, segundo o governo, será ampliada.
Reforço na fiscalização de benefícios
O SNAP é um dos principais programas federais de assistência alimentar dos Estados Unidos. No ano fiscal de 2025, atendeu, em média, 42,1 milhões de pessoas por mês, com despesas federais de US$ 101,7 bilhões. O benefício médio foi de US$ 187,94 mensais por participante, segundo dados do Departamento de Agricultura (USDA) citados pela imprensa americana.
Em regra, pessoas que vivem ilegalmente nos Estados Unidos não são elegíveis ao SNAP. Determinadas categorias de não cidadãos que atendem aos requisitos legais, entretanto, podem receber assistência. A distinção é importante porque a condição migratória, por si só, não esclarece todos os critérios de elegibilidade aplicáveis a cada caso.
A operação do ICE ocorre em meio à ampliação das ações do governo Trump contra fraudes em programas federais. Em 21 de outubro, o Departamento de Justiça e o USDA anunciaram uma ofensiva paralela que, desde 1º de setembro, havia resultado em medidas judiciais contra mais de 40 pessoas suspeitas de envolvimento em diferentes esquemas de fraude. Segundo o balanço federal, as perdas potenciais estimadas nesses casos se aproximavam de US$ 45 milhões, dos quais quase US$ 42 milhões estavam relacionados ao SNAP.
Essa investigação mais ampla inclui suspeitas de uso de dados de cartões de beneficiários, identidades roubadas e transações fraudulentas em estabelecimentos comerciais. Não há, contudo, indicação de que os cinco imigrantes mencionados pelo DHS estejam vinculados aos casos apresentados pelo Departamento de Justiça.
Até o anúncio inicial, o governo não havia divulgado o número total de pessoas que pretende investigar, o alcance geográfico das diligências ou uma estimativa dos valores envolvidos nos casos atribuídos aos cinco detidos. O DHS afirmou que a operação continuará, mas não apresentou um cronograma para novas etapas.


