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Às vésperas da eleição de terça-feira, 3 de novembro de 2026, os americanos vão às urnas para decidir o controle do Congresso nos dois últimos anos do segundo mandato de Donald Trump. As pesquisas apontam um ambiente nacional claramente favorável aos democratas, impulsionado pela baixa popularidade do presidente e pela insatisfação com o custo de vida. Ainda assim, o mapa do Senado — mais vermelho e difícil para a oposição — mantém a disputa pelo controle da Câmara Alta em aberto.
O que está em jogo
Republicanos entram na eleição com maiorias estreitas: cerca de 218-214 na Câmara e 53-47 no Senado. Os democratas precisam de um ganho líquido de cerca de quatro cadeiras em cada casa para tomar o controle. Além do Congresso, há eleições para governadores em dezenas de estados. O resultado definirá se Trump terá maioria republicana para avançar sua agenda ou se enfrentará um Congresso hostil capaz de bloquear leis e abrir investigações.
O que as últimas pesquisas sinalizam
O generic ballot nacional (preferência partidária para a Câmara) mostra os democratas à frente por 8 a 10 pontos (algo na faixa de 51-52% contra 42-44% dos republicanos). Modelos de previsão dão aos democratas 90% a 97% de chance de recuperar a Câmara, com projeções de cerca de 230 a 240 cadeiras.
No Senado, o cenário é mais apertado, mas as pesquisas finais favorecem os democratas. Um conjunto recente do New York Times/Siena University mostrou lideranças democratas em praticamente todas as disputas decisivas:
- Michigan: Abdul El-Sayed (D) 53% x 42% Mike Rogers (R)
- Texas: James Talarico (D) 50% x 43% Ken Paxton (R)
- Maine: Troy Jackson (D) 51% x 45% Susan Collins (R)
- Ohio: Sherrod Brown (D) 49% x 44% Jon Husted (R)
- Kansas Adam Hamilton (D) 49% x 44% Roger Marshall (R)
- Alasca: Mary Peltola (D) 48% x 46% Dan Sullivan (R)
- Iowa: Josh Turek (D) 48% x 47% Ashley Hinson (R) — praticamente empatado
Modelos de previsão (como 535, Poliwave e outros) colocam a chance de controle democrata do Senado entre 70% e 80%, com projeção média em torno de 52 cadeiras. A aprovação de Trump oscila entre 33% e 38%, com desaprovação perto de 60% — um dos piores patamares de um presidente às vésperas de midterms.
A votação antecipada já ultrapassou 53 milhões de votos, acima do total de 2022, com forte participação em estados decisivos como Texas.
Expectativas dos Democratas
O partido entra na reta final com otimismo moderado. Há ampla confiança na recuperação da Câmara. No Senado, a expectativa é de uma “onda azul” suficiente para flipar cadeiras em estados que Trump venceu por margem ampla em 2024 (Ohio, Texas, Kansas, Alasca e, potencialmente, Iowa).
A mensagem central dos democratas é o custo de vida e a necessidade de frear Trump. Eles apostam no desgaste da coalizão que elegeu o presidente em 2024 — especialmente entre latinos, jovens e eleitores sem diploma universitário — e na mobilização de eleitores insatisfeitos com a economia e a guerra no Irã. Internamente, porém, há cautela: muitos lembram que pesquisas já superestimaram o partido em eleições anteriores, especialmente em estados vermelhos.
Expectativas dos Republicanos
Os republicanos reconhecem o ambiente difícil, mas ainda veem caminho para manter o Senado (mais importante para bloquear nomeações e frear a oposição) e minimizar perdas na Câmara. Trump e lideranças do partido afirmam publicamente que vão segurar ambas as casas e alertam que uma vitória democrata seria “catastrófica”.
A estratégia republicana combina mobilização intensa da base MAGA com tentativas de conquistar eleitores independentes em temas como imigração e segurança. O partido conta com a possibilidade de erro sistemático nas pesquisas (eleitores republicanos respondem menos a sondagens) e com o fato de o mapa do Senado ser estruturalmente favorável a eles. Perder o Senado exigiria que os democratas vencessem em vários estados que Trump carregou com folga — algo raro historicamente.
Cenários possíveis
- Onda azul: Democratas tomam Câmara e Senado. Trump enfrenta os dois últimos anos com oposição no Congresso, investigações e dificuldade para avançar a agenda.
- Câmara democrata + Senado republicano: O cenário mais citado por analistas como “provável” em caso de erro moderado nas pesquisas. Democratas controlam a Câmara e podem bloquear leis e investigar, mas o Senado permanece com os republicanos.
- Surpresa republicana: Pesquisas erram de forma significativa a favor dos republicanos e o partido mantém ambas as casas. Isso reforçaria Trump e surpreenderia o mercado político.
Às vésperas da votação, as pesquisas apontam claramente para um bom dia dos democratas — especialmente na Câmara. O Senado, porém, ainda depende de vitórias em território vermelho. Os resultados começam a sair na noite de terça-feira (horário dos EUA) e algumas disputas apertadas podem demorar dias para serem definidas.


