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Washington – Após 324 dias sob custódia federal, a egípcia Hayam El Gamal e seus cinco filhos, com idades entre 5 e 18 anos, foram libertados na última quinta-feira (23 de abril de 2026) do centro de detenção de famílias de Dilley, no Texas. O caso se tornou o mais longo de detenção familiar registrado na segunda administração de Donald Trump.
A família foi detida em 3 de junho de 2025, dois dias após o ex-marido de Hayam, Mohamed Sabry Soliman, ser preso e acusado de ataque a bomba incendiária em Boulder, no Colorado. O incidente deixou uma mulher de 82 anos morta e dezenas de feridos. A família, que havia entrado nos EUA com visto de turista em 2023 e solicitava asilo, foi enviada ao South Texas Family Residential Center, em Dilley.
Durante os quase 10 meses de detenção, a família relatou condições precárias, incluindo problemas de saúde sem atendimento adequado, alimentação inadequada e dificuldades para as crianças. A libertação ocorreu por ordem do juiz federal Fred Biery, do Distrito Oeste do Texas. Dois dias depois, a família foi brevemente detida novamente em Denver, mas uma nova intervenção judicial impediu a deportação.

Recordes de detenção
O caso da família El Gamal marca o tempo máximo de detenção familiar sob a atual administração Trump. No entanto, para indivíduos adultos, as detenções são significativamente mais longas.
De acordo com dados recentes do ICE e reportagens de veículos como NPR, PBS e TRAC Immigration, há atualmente mais de 2.100 imigrantes detidos por mais de um ano. Casos de detenção superior a dois anos são registrados com frequência, e historicamente existem precedentes de imigrantes mantidos por três, sete ou até mais de 17 anos em custódia imigratória enquanto aguardam decisões judiciais ou deportação.
A expansão do sistema de detenção sob Trump 2.0 elevou o número total de pessoas em custódia do ICE para cerca de 70 mil, o maior patamar da história.
Críticas
Organizações de direitos humanos criticaram duramente a detenção prolongada de famílias e menores, argumentando que viola o acordo Flores (que limita a detenção de crianças a 20 dias) e causa danos psicológicos irreversíveis. Advogados da família El Gamal classificaram o episódio como exemplo do endurecimento excessivo da política migratória.
A família retornou ao Colorado, onde Hayam e a filha mais velha, Habiba (18 anos), usam tornozeleiras eletrônicas enquanto tramita o pedido de asilo.


