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Quase 27 anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos finalmente estabeleceram uma data para o julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, apontado pelas autoridades americanas como o principal planejador dos ataques que mataram 2.977 pessoas em Nova York, Washington e na Pensilvânia.
Um juiz militar determinou nesta quarta-feira (26) que o julgamento terá início em 5 de junho de 2028, na base naval americana de Guantánamo, em Cuba. A data, porém, ainda poderá sofrer alterações diante das questões jurídicas que permanecem em aberto.
Mohammed será julgado ao lado de Walid bin Attash, Ali Abdul Aziz Ali e Mustafa Ahmed al-Hawsawi, acusados de participação na conspiração que levou aos atentados. Os quatro estão detidos em Guantánamo desde 2006, depois de Mohammed ter sido capturado no Paquistão em 2003 e mantido anteriormente em instalações secretas da CIA.
Um processo que atravessou gerações
A demora tornou o caso um dos processos judiciais mais longos e complexos da história recente dos Estados Unidos.
Os acusados foram formalmente denunciados em 2008, mas o julgamento nunca chegou a começar. A primeira fase do processo foi marcada por sucessivas disputas sobre a competência do tribunal militar, admissibilidade de provas e tratamento dos prisioneiros durante os anos em que permaneceram sob custódia da CIA.
Um dos principais obstáculos está justamente nas declarações obtidas durante os interrogatórios conduzidos pela agência de inteligência. Os advogados de defesa argumentam que confissões e outras provas relacionadas a períodos de tortura não podem ser utilizadas contra os acusados. A questão continua entre os pontos que precisam ser resolvidos antes do julgamento.
O juiz havia considerado uma abertura do julgamento em janeiro de 2027, mas concluiu que o prazo seria insuficiente para resolver as questões pré-processuais restantes. A nova data representa, portanto, mais um adiamento de um caso que já passou pelas mãos de cinco juízes militares.
O que está em jogo
Mohammed e os demais acusados enfrentam acusações relacionadas a terrorismo, conspiração, sequestro de aeronaves e homicídio em violação às leis da guerra. A promotoria busca penas que podem chegar à morte.
O caso também sofreu uma reviravolta em 2024, quando Mohammed e outros dois acusados chegaram a um acordo com os promotores para se declarar culpados em troca da retirada da possibilidade de pena de morte. O acordo acabou sendo contestado e posteriormente anulado, mantendo o processo no caminho de um julgamento.
Para familiares das vítimas, a definição de uma data representa uma possível aproximação de um desfecho judicial aguardado há quase um quarto de século. Mas a própria história do processo recomenda cautela: questões jurídicas ainda podem provocar novos atrasos.
Se o calendário for mantido, Khalid Sheikh Mohammed começará a ser julgado quase 27 anos depois dos atentados que ajudou, segundo a acusação, a planejar — e cerca de 25 anos depois de sua captura.
A demora tornou o julgamento, além de um processo criminal contra os acusados, um teste tardio para a capacidade dos Estados Unidos de produzir uma resposta judicial aos ataques que redefiniram sua política de segurança e sua atuação militar no século XXI.


