JUNOT
Cambridge, Massachusetts — Dois homens estão entre a vida e a morte depois que Tyler Brown, criminoso reincidente profissional, resolveu transformar a Memorial Drive num estande de tiro ao ar livre. O sujeito disparou entre 50 e 60 balas no meio da pista, acertou um motorista de van da MBTA e outro cidadão comum, fez gente pular de carro e se esconder debaixo dos veículos como em filme de guerra. Brown foi baleado por um trooper da Polícia Estadual e por um ex-fuzileiro que estava or ali e não aguentou ficar de braços cruzados.
O que deixa essa carnificina especialmente nojenta é que não foi surpresa nenhuma. Tyler Brown já havia tentado matar policial antes. Em 2020, ele disparou 13 tiros contra agentes de Boston, a queima-roupa. A promotoria pediu 10 a 12 anos. Aí entrou em cena a juíza Janet Sanders, grande defensora da filosofia fashion do judiciário progressista: o bandido não é bandido, é “vítima da sociedade”.
Com ar de quem entende profundamente as dores do mundo, Sanders olhou para o reincidente com 20 anos de ficha suja — agressão, faca, intimidação de testemunhas — e decidiu que 5 a 6 anos já eram o suficiente. “Reabilitação acima de tudo”, deve ter pensado, enquanto assinava a sentença que devolveu às ruas um sujeito que claramente odeia a humanidade.
Resultado? Brown ganhou sua “segunda chance para matar”. E usou direitinho. Saiu da cadeia, cumpriu a condicional frouxa e voltou a atirar — desta vez em civis inocentes que só queriam atravessar a ponte. Parabéns, excelência. Sua compaixão seletiva custou caro.
Essa é a grande sacada da cartilha de Sanders: o verdadeiro vilão nunca é o criminoso violento. O vilão é a “sociedade”, a “pobreza”, o “trauma”, o “sistema”. O atirador? Coitadinho, só precisa de compreensão, terapia e mais uma oportunidade. Enquanto isso, os motoristas que levaram bala viram apenas dano colateral da nobre missão de “reinserir” o marginal.
Moradores de Cambridge, chocados, repetem: “Aqui não acontece isso”. Acontece sim. Acontece quando juízes tratam criminosos reincidentes como projetos sociais em vez de ameaças públicas.
A governadora Healey e a deputada Pressley já garantiram que “não há ameaça ao público”. Claro. A ameaça foi solta anos atrás, com carimbo judicial e discurso bonito sobre segunda chance.
Tyler Brown agora está algemado numa UTI, respondendo por mais um festival de balas. Mas a pergunta que fica fedendo no ar é: quantas vítimas ainda vão pagar com sangue a ideologia romântica de juízes que insistem em abraçar o lobo e chamar isso de justiça?
Essa não é uma tragédia aleatória. É o resultado previsível de quem acha que bandido violento merece mais proteção do que a população honesta.
Essa segunda chance para matar funcionou direitinho.


