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O Conselho Municipal de Boston aprovou por unanimidade, por 12 votos a zero, uma resolução que pede à cidade e ao governo de Massachusetts a criação de abrigo emergencial para imigrantes haitianos que perderam a proteção migratória conhecida como TPS.
O programa, criado para permitir que estrangeiros de países afetados por guerras, desastres ou crises humanitárias permaneçam e trabalhem legalmente nos Estados Unidos, deixou de proteger haitianos em 27 de julho. Cerca de 45 mil pessoas em Massachusetts e mais de 300 mil em todo o país foram afetadas, segundo a resolução.
A medida aprovada pelos vereadores não cria, porém, um programa de abrigo nem estabelece quanto ele custaria. Também não define, neste momento, quem pagaria a conta. A vereadora Julia Mejia afirmou que pretende pressionar por recursos durante a elaboração do próximo orçamento municipal.
“Não podemos parar na assistência jurídica e no apoio ao emprego”, afirmou o vereador Miniard Culpepper. Segundo ele, também é necessário enfrentar o risco imediato de perda de moradia.
A proposta sugere que prédios públicos vazios ou subutilizados sejam adaptados temporariamente para abrigar pessoas sem condições de pagar aluguel.
O debate ocorre em uma cidade que enfrenta forte pressão sobre a habitação. Quase metade dos inquilinos da região metropolitana de Boston, 49%, gastava mais de 30% da renda com moradia em 2024, segundo a Boston Foundation.
O próprio governo de Massachusetts gastou US$ 978 milhões no programa estadual de abrigo familiar no ano fiscal de 2025. Já Boston precisou recorrer ao fundo de emergência para cobrir um déficit de US$ 70 milhões no último ano fiscal.
“Não podemos controlar a política federal, mas podemos controlar o que fazemos com nossos próprios recursos”, disse o vereador Henry Santana.
A resolução, portanto, abre uma discussão que vai além da situação dos haitianos: quanto custa ampliar a rede pública de abrigo e quem deve pagar por ela em uma cidade onde a moradia já é um problema para milhares de famílias?


