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O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) passou a perguntar a imigrantes detidos se já votaram ilegalmente nos Estados Unidos. Desde 1º de outubro, agentes também perguntam, quando há admissão, se o voto teria sido presencial ou por correspondência, segundo documentos obtidos pelo The Washington Post.
A medida faz parte de uma investigação nacional conduzida pela Homeland Security Investigations (HSI), braço investigativo do ICE, sobre possíveis irregularidades eleitorais envolvendo não cidadãos.
Documentos obtidos pela organização Democracy Forward mostram que a HSI analisou cerca de 99 milhões de registros. Um conjunto tinha 50,6 milhões de registros provenientes do Departamento de Justiça; outros 48,4 milhões foram obtidos por Heather Honey, assessora do secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, a partir de fontes descritas nos documentos apenas como “independentes”. Não está claro se os dois grupos contêm informações das mesmas pessoas.
A investigação também alcançou organizações envolvidas no registro de eleitores. Documentos indicam que a HSI chegou a considerar operações disfarçadas contra grupos suspeitos de auxiliar não cidadãos a se registrarem para votar. Em alguns casos, porém, investigações não encontraram evidências de irregularidades.
O governo afirma que investiga denúncias consideradas críveis de crimes, inclusive relacionados à integridade eleitoral. A votação de não cidadãos em eleições federais é ilegal, embora autoridades eleitorais e reportagens independentes apontem que casos comprovados são raros.
A ofensiva ocorre enquanto o tema também chega aos tribunais. Em 1º de outubro, o juiz federal David Leibowitz rejeitou uma acusação contra uma imigrante jamaicana acusada de votar ilegalmente, considerando inconstitucional a lei federal usada no processo. A decisão foi baseada no entendimento de que a Constituição reserva aos estados a definição das qualificações eleitorais e ainda pode ser contestada pelo governo.
Com as eleições de meio de mandato marcadas para novembro, a investigação coloca o ICE em uma área tradicionalmente administrada por autoridades eleitorais estaduais e locais e amplia o debate sobre até onde deve ir a atuação federal na fiscalização do voto.


