Edel Holz
A Globo investiu bonito na sua novela sertaneja mas não teve o sucesso que imaginava . Qual será o motivo da falta de interesse do público? Universo sertanejo em baixa? Elenco fraco com poucos nomes de peso? E o sotaque intragável goianense/minerês que cariocas da gema e nordestinos insistiram em fazer? O mocinho de Felipe Bragança, o tal do Mozão, é tão insuportável que a gente não consegue torcer para que que com Agrado. Ele é um músico nato, tem carisma e talento, canta bem, porém o personagem é um babaca. Isadora Cruz arrasou como a perua Rochelle em Volta por Cima e agora constrói uma protagonista sem muito caldo, tentando driblar seu sotaque nordestino com o goianês desnessário. Claro que não é culpa dela. Ela é linda, boa atriz e a gente percebe que ela está dando seu melhor. O texto é ruim. Trama frágil. E o cabelo da Agrado gente? Dá vontade de pentear! Quando elas fazem show, dão uma alisadinha no cabelo dela e fica uma beleza, mas não é sempre.
Gabz como Eduarda, Leandra Leal como Zilá e Thomás Aquino como Roney são o tiro certo da novela. Leticia Spiller nunca foi uma boa atriz, mas esse sem dúvida é seu pior papel, ganhando até mesmo daquela personagem que ela pintou o cabelo de preto, fazendo filha do Wilker numa novela das nove.
A história é bem bobinha, sem muitos ganchos para reviravoltas. A Agrado Garcia é a nadinha, mas quando João Raul diz:-Que voz linda que ocê tem muié? dá vontade de sumir. Sério que alguém acha que ela canta muuuitooo? Quando a Ana Castela a acompanha, a voz dela desaparece. Ramille e Gabz sim. Possuem um vozeirão. Aliás, Ramille seria perfeita para o papel de Agrado. Tem carisma, beleza e canta muitíssimo bem. Erro de escalação total! Além de ter mais química com o protagonista por ser sua namorada na vida real.
O núcleo cômico das empregadas de Zilá e do mordomo do Mozão é ótimo, mas pouco explorado. Os excelentes Marcos Caruso e Antônio Caloni estão meio que desperdiçados. Aliás, o personagem de Caloni, que era um jogador compulsivo, virou um empolgado trabalhador e gastador de dinheiro dos outros.
Bem chato! Elisa Lucinda como Zuzu tem seus encantos. E vamos ver como as autoras Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento terminarão esse folhetim que não caiu no gosto do público. Eu assisto pra ver se vai melhorar, mas tá dicil. Para uma boa noveleira como eu, a esperança é a ultima que morre!
SOBRE A COLUNISTA: Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista, diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos. Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas vinda à poderosa e de mente efervescente Edel.


