JSNEWS
Nova York, 21 de julho de 2026 — Um surto de Doença dos Legionários na região do Upper East Side, em Manhattan, já causou quatro mortes e infectou pelo menos 76 pessoas. As autoridades de saúde de Nova York afirmam que a fonte da contaminação — torres de resfriamento de ar condicionado — provavelmente já foi eliminada, mas o episódio reacende o alerta sobre uma doença que, embora não seja transmitida de pessoa para pessoa, pode ser letal.
De acordo com o Departamento de Saúde da cidade, dos 76 casos confirmados, sete pessoas ainda estão hospitalizadas, 53 receberam alta após tratamento e 12 se recuperaram em casa. O último caso registrado foi em 15 de julho, e não há novos diagnósticos desde então. O prefeito Zohran Mamdani afirmou que a estratégia de testes e desinfecção rápida dos sistemas de refrigeração foi eficaz.
A bactéria Legionella se multiplica em água morna e é disseminada pelo ar por meio de aerossóis gerados em torres de resfriamento, chuveiros e fontes decorativas. No surto atual, 76 edifícios testaram positivo para a bactéria, incluindo museus, escolas e prédios residenciais. As autoridades reforçaram que o problema não está no encanamento dos prédios e que a água da torneira continua segura para consumo e banho.
No Brasil, a Doença dos Legionários é subnotificada, mas não é inexistente. Os casos costumam ser esporádicos e estão concentrados principalmente em hotéis, hospitais e grandes edifícios comerciais que possuem sistemas centrais de ar condicionado com torres de resfriamento.
Diferente dos grandes surtos comunitários registrados em Nova York (2025 e 2026) ou em Portugal (2024), no Brasil a doença aparece de forma mais localizada. Quando ocorre, no entanto, pode ser grave: a taxa de mortalidade gira em torno de 10%, chegando a números mais altos em idosos e pessoas com comorbidades.
Especialistas apontam que a menor incidência de grandes surtos no país está relacionada ao clima quente (que reduz o uso intensivo de torres de refrigeração) e à menor densidade de prédios muito altos em comparação com grandes metrópoles americanas e europeias. Mesmo assim, a vigilância sanitária recomenda atenção redobrada em estabelecimentos com sistemas centrais de climatização.
A Doença dos Legionários é um problema de saúde pública recorrente em diversos países. Surtos têm sido registrados com frequência na Europa (especialmente Portugal, Espanha e Itália), Estados Unidos, Austrália e Canadá. O maior surto recente na Europa ocorreu em Portugal em 2024, com centenas de casos. Nos Estados Unidos, além do atual surto em Nova York, outro episódio em Harlem em agosto de 2025 matou sete pessoas e infectou mais de cem.
O aumento de casos nas últimas décadas está ligado ao envelhecimento da população, maior uso de sistemas de ar condicionado central e, em alguns casos, falhas na manutenção desses equipamentos.
Recomendações e cuidados
Para evitar a proliferação da bactéria Legionella, especialistas recomendam:
- Manutenção rigorosa de torres de resfriamento e sistemas de água em hotéis, hospitais, shoppings e grandes edifícios (limpeza química e térmica periódica).
- Inspeções frequentes em sistemas de ar condicionado central.
- Evitar água estagnada em reservatórios, fontes decorativas e banheiras de hidromassagem.
- Em hotéis e condomínios: deixar a água do chuveiro correr por alguns minutos antes do uso, especialmente após longos períodos sem utilização.
- Pessoas com febre alta, tosse persistente e dificuldade para respirar — especialmente após terem frequentado hotéis, grandes prédios ou viajado — devem procurar atendimento médico e informar sobre possível exposição.
- Idosos, fumantes e pessoas com doenças crônicas são o grupo de maior risco.
O surto em Nova York serve como alerta para a importância da manutenção preventiva em sistemas de climatização, mesmo em países onde os grandes surtos são menos frequentes, como o Brasil.


