Nova York, 22 jul 2026 (JSNEWS) – A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, processou nesta terça-feira nos Estados Unidos a Eli Lilly, dona do Mounjaro e do Zepbound, por propaganda enganosa. A ação acusa a rival de usar comparações desatualizadas para fazer seus remédios de emagrecimento e diabetes parecerem mais eficazes.
O processo, aberto no tribunal federal de Nova Jersey, afirma que a Eli Lilly promoveu campanhas nacionais de publicidade direta ao consumidor que omitiram informações importantes sobre doses mais recentes e eficazes dos medicamentos da Novo Nordisk. Segundo a empresa dinamarquesa, os anúncios comparam a dose máxima do Zepbound (tirzepatida) com doses mais baixas do Wegovy (semaglutida), ignorando a versão de alta potência aprovada pela FDA.
A mesma estratégia teria sido usada nos comerciais do Mounjaro contra o Ozempic. A Novo Nordisk estima que esses anúncios foram vistos mais de 700 milhões de vezes, inclusive em redes sociais como TikTok e Facebook e durante transmissões esportivas.
“Os pacientes merecem informações precisas baseadas nas evidências científicas mais recentes”, disse John Kuckelman, diretor jurídico do grupo. A empresa enviou notificação extrajudicial pedindo a retirada ou correção dos anúncios, mas alega que a Eli Lilly ignorou o pedido.
A Eli Lilly defendeu-se rapidamente. Em nota, afirmou que sua publicidade “é verdadeira, transparente e baseada nas evidências científicas diretas” e que vai se defender “com vigor” na Justiça.
O embate judicial expõe a feroz disputa no mercado bilionário dos medicamentos GLP-1, usados para diabetes tipo 2 e obesidade. A Novo Nordisk foi pioneira com o Ozempic (2018) e o Wegovy (2021). A Eli Lilly respondeu com Mounjaro (2022) e Zepbound (2023), ganhando terreno rapidamente.
A ação pede que a Justiça proíba definitivamente os anúncios contestados e obrigue a Eli Lilly a veicular publicidade corretiva. A Novo Nordisk também busca indenização por danos, cujo valor ainda não foi divulgado.
Analistas veem o processo como mais um capítulo da “guerra dos GLP-1”, que já movimenta bilhões em vendas e investimentos em propaganda. A decisão judicial pode influenciar como as farmacêuticas comparam seus produtos no futuro. (JSNEWS)


