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FORT WORTH, Texas — Sete pessoas que não são cidadãs dos Estados Unidos foram acusadas de crimes relacionados ao voto em eleições federais no Texas, incluindo votação, tentativa de votação e declarações falsas de cidadania. O anúncio foi feito em 15 de setembro de 2026 pelo Ministério Público Federal do Distrito Norte do Texas.
Entre os acusados estão seis residentes permanentes legais, portadores do Green Card, e um cidadão mexicano que já havia recebido uma ordem de remoção dos Estados Unidos. As acusações estão relacionadas principalmente às eleições de 2018 e 2024.
Segundo os documentos apresentados pelo governo, alguns dos casos envolveriam pessoas que teriam declarado falsamente ser cidadãos americanos ao se registrar para votar e posteriormente participado da eleição de novembro de 2024. Em dois casos, os acusados teriam apresentado cédulas provisórias que acabaram rejeitadas. Ainda assim, os promotores sustentam que a tentativa de votar, acompanhada de falsa declaração de cidadania, constitui violação da legislação eleitoral.
Um dos acusados, Helen Sayen Adams, cidadã nigeriana e residente permanente desde 2024, é acusada de ter declarado falsamente a cidadania americana ao solicitar o registro eleitoral e de ter votado na eleição geral de novembro daquele ano. Outro acusado, Khalwinder Singh Bhengura, cidadão indiano e residente permanente desde 2022, teria feito declaração falsa de cidadania ao se registrar para votar e participado da eleição de 2024.
O governo federal também acusa Moises Anwar Arellano-Alba, cidadão mexicano que já tinha uma ordem de deportação emitida em julho de 2026, de ter declarado falsamente ser cidadão americano ao solicitar uma carteira de motorista e de ter votado antecipadamente na eleição de 2024 no condado de Dallas. Segundo os promotores, ele se entregou às autoridades federais em 15 de setembro, depois de permanecer foragido.
Texas identificou 2.724 registros para revisão
As acusações foram anunciadas no mesmo dia em que a Secretaria de Estado do Texas informou ter encaminhado 117 casos ao procurador-geral estadual para investigação por possível participação de não cidadãos no processo eleitoral.
O episódio faz parte de uma revisão mais ampla dos registros eleitorais do estado. No ano passado, o Texas comparou aproximadamente 18 milhões de registros de eleitores com o banco federal SAVE, utilizado para verificar informações relacionadas à cidadania. O cruzamento inicialmente identificou 2.724 registros de possíveis não cidadãos.
Entretanto, uma análise posterior mostrou que 578 dessas pessoas eram, na realidade, cidadãs americanas. Segundo a Secretaria de Estado, 506 delas tiveram a cidadania confirmada porque informações de passaporte haviam sido acrescentadas posteriormente ao sistema SAVE. O estado orientou os condados a restabelecer os registros eleitorais daqueles que haviam sido removidos.
O dado é relevante porque demonstra que uma identificação inicial em bancos de dados de imigração ou cidadania não equivale, por si só, à comprovação de voto ilegal. No caso do Texas, centenas de pessoas inicialmente classificadas como possíveis não cidadãs foram posteriormente confirmadas como cidadãs. A investigação dos 117 casos encaminhados ao procurador-geral ainda está em andamento.
Um tema que ganhou força antes das eleições de 2026
As novas acusações fazem parte de uma ofensiva mais ampla do governo federal para aumentar a fiscalização sobre a elegibilidade eleitoral antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro de 2026. A administração Trump tem defendido mecanismos mais rigorosos de verificação da cidadania e ampliado o uso de bases de dados federais para revisar registros eleitorais.
Ao mesmo tempo, levantamentos independentes indicam que casos comprovados de voto de não cidadãos em eleições federais são incomuns. Uma investigação da Reuters publicada em julho identificou 129 processos federais por votação de não cidadãos desde 1996, sem evidência de uma operação coordenada de fraude eleitoral envolvendo partidos políticos. A análise também constatou que parte dos casos decorreu de confusão ou erros relacionados ao processo de registro, embora existam casos em que os investigadores encontraram evidências de declarações deliberadamente falsas.
Quem pode votar nos Estados Unidos?
O direito de votar em eleições federais é reservado aos cidadãos dos Estados Unidos. Ser residente permanente legal — mesmo por muitos anos e sendo portador de Green Card — não confere direito de votar para presidente, vice-presidente, senador ou deputado federal.
A legislação federal é expressa. O 18 U.S.C. § 611 torna ilegal que um estrangeiro vote em eleições destinadas, total ou parcialmente, à escolha de presidente, vice-presidente, senador ou membro da Câmara dos Representantes, salvo uma exceção muito específica para eleições locais realizadas separadamente da votação para cargos federais.
A Constituição também trata o direito de voto como um direito dos cidadãos. A 15ª Emenda estabelece que o direito dos cidadãos americanos de votar não pode ser negado ou restringido com base em raça ou cor, enquanto a 26ª Emenda protege o direito de cidadãos com 18 anos ou mais contra restrições baseadas na idade.
Portanto, Green Card não é cidadania e não dá direito de votar em eleições federais. A naturalização é que transforma o residente permanente em cidadão americano, desde que sejam cumpridos os requisitos legais para a cidadania.


