Eliana Pereira Ignacio
Olá, meus caros leitores!
Hoje venho falar sobre um assunto que, de alguma maneira, já chegou à vida de quase todos nós: a Inteligência Artificial. E pensei comigo: é melhor escrever sobre ela enquanto ainda posso dizer que fui eu quem escolheu o assunto!
Brincadeiras à parte — e antes que alguma inteligência artificial se sinta injustamente acusada —, esta não é uma conversa contra a tecnologia. Muito pelo contrário. É uma conversa sobre nós. Sobre como estamos nos sentindo diante de um mundo que parece mudar numa velocidade que, às vezes, mal conseguimos acompanhar.
Tenho a impressão de que fomos dormir em um mundo e estamos acordando em outro. Não aconteceu de uma vez. Talvez por isso seja ainda mais impressionante.
Aos poucos, palavras como inteligência artificial, algoritmos e automação deixaram os ambientes especializados e passaram a fazer parte das nossas conversas, do nosso trabalho, da educação dos nossos filhos e até da maneira como buscamos respostas para questões pessoais.
Hoje, uma máquina pode escrever um texto, traduzir idiomas, criar imagens, organizar informações e realizar, em segundos, tarefas que antes exigiam horas.
Enquanto tentamos compreender uma novidade, outra já está chegando.
É fascinante. E, para muitas pessoas, também é inquietante.
Quando a mente tenta acompanhar um mundo acelerado
Do ponto de vista psicológico, existe algo importante acontecendo conosco. O ser humano precisa de algum grau de previsibilidade para organizar sua experiência e construir uma sensação de segurança.
Mudanças muito rápidas, principalmente quando não conseguimos antecipar suas consequências, podem despertar ansiedade, insegurança e a sensação de perda de controle.
Por isso, talvez parte da angústia provocada pela Inteligência Artificial não esteja apenas na tecnologia em si, mas na velocidade das perguntas que ela nos obriga a fazer:
Meu trabalho continuará existindo?
Como serão as profissões dos nossos filhos?
Ainda conseguiremos distinguir aquilo que é verdadeiro daquilo que foi artificialmente produzido?
O que acontecerá com nossa privacidade?
Até que ponto podemos confiar nas respostas que recebemos?
São perguntas legítimas. E reconhecer essas preocupações não significa rejeitar o progresso.
Psicologicamente, o medo também pode funcionar como um sinal de que alguma coisa importante precisa ser observada. O problema começa quando permitimos que ele determine sozinho nossas escolhas.
Entre negar a mudança e viver assustados por ela existe uma habilidade essencial para a saúde emocional: a capacidade de adaptação.
Adaptar-se não significa aceitar tudo. Significa aprender, avaliar, estabelecer limites e continuar fazendo escolhas conscientes diante de uma realidade que mudou.
Uma ferramenta poderosa — mas ainda uma ferramenta
A Inteligência Artificial pode contribuir enormemente para a humanidade. Pode facilitar trabalhos, ampliar o acesso ao conhecimento, apoiar pesquisas, favorecer descobertas e oferecer recursos que, há poucos anos, pareciam pertencer à ficção científica.
Mas toda grande ferramenta traz consigo uma pergunta que não pode ser respondida pela própria ferramenta:
O que faremos com ela?
Talvez essa seja a questão que mais importa.
Porque o verdadeiro risco pode não estar apenas no quanto as máquinas serão capazes de fazer. Pode estar também no quanto nós estaremos dispostos a deixar de exercitar por nós mesmos.
Quando uma tecnologia pensa conosco, precisamos tomar cuidado para que ela não pense por nós.
Quando escreve conosco, precisamos preservar nossa própria voz.
Quando responde rapidamente, precisamos continuar sabendo fazer perguntas.
Quando facilita nossas escolhas, precisamos conservar a capacidade de discernir.
E quando promete aproximar pessoas, precisamos observar se não estamos, paradoxalmente, nos afastando umas das outras.
Existe algo profundamente humano que não deveria ser entregue à pressa.
Uma criança ainda precisa de alguém que a olhe nos olhos.
Uma pessoa sofrendo ainda precisa ser verdadeiramente ouvida.
Um abraço não pode ser automatizado.
O perdão não nasce de um comando.
A empatia exige encontro.
Até a próxima, meus caros leitores.
E, se na próxima semana eu ainda estiver por aqui escrevendo para vocês — prometo continuar escolhendo pessoalmente o assunto!
“A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento.”
— Provérbios 4:7
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


