Alex Colombini
Renato Russo fez essa pergunta muitos anos atrás. Hoje, olhando para o que está acontecendo no Brasil, somos obrigados a perguntar novamente: que país é este?
A cada dia aparece uma nova confusão dentro do Supremo Tribunal Federal. É ministro brigando com ministro. É decisão anulando decisão. É ordem dada pela manhã e derrubada à tarde. Virou uma bagunça completa.
No meio de tudo isso está Alexandre de Moraes. O escritório de sua esposa assinou um contrato milionário com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O valor passou de R$ 129 milhões. Agora surgiram informações de que o próprio Moraes teria participado da edição desse contrato, a partir do computador de sua sala no STF.
A explicação foi de que ele apenas verificou se existia conflito de interesses. Ora, tenha paciência! Desde quando um ministro do STF precisa ajudar a revisar um contrato milionário do escritório da própria esposa?
Depois, apareceram mensagens de Daniel Vorcaro para Moraes. O banqueiro, que estava sendo investigado, chegou a perguntar ao ministro se deveria sair do Brasil.
Isso é normal? Um homem investigado ter esse tipo de liberdade com um ministro da mais alta Corte do país?
Também vieram à tona encontros cercados por luxo, charutos e bebidas caras. Moraes, Vorcaro e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participaram de uma degustação do caríssimo uísque The Macallan, em Londres, em um evento patrocinado pelo Banco Master.
Enquanto o trabalhador brasileiro sua para pagar suas contas, autoridades bebem uísque caro ao lado de um banqueiro que depois seria investigado. Parece piada. Mas não é.
Foi André Mendonça quem levantou o sigilo e colocou parte dessas informações diante do Brasil. E aí começou uma verdadeira guerra dentro do STF.
Primeiro, André Mendonça afastou Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. Pouco depois, Flávio Dino apareceu com uma decisão monocrática e derrubou a decisão de Mendonça, reconduzindo Andrei ao cargo.
Em seguida, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões, manteve o diretor da PF no cargo e puxou para si a responsabilidade pelo caso.
Mendonça decidiu uma coisa. Dino decidiu outra. Fachin suspendeu tudo e assumiu o controle.
Que Justiça é essa? Quem está certo? Quem está errado? Quem investiga quem?
A jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo e comentarista da GloboNews, definiu o clima no STF como de “bomba atômica” e “guerra nuclear”. Ela tem razão.
Enquanto o país assiste a tudo indignado, aparecem ministros sorrindo e conversando como se nada estivesse acontecendo. Parece que a piada somos nós.
O jornalista Merval Pereira, da GloboNews, que durante muito tempo elogiou Alexandre de Moraes, agora reconhece a gravidade da situação. De certa forma, fez sua meia-culpa por não ter cobrado antes, com a força necessária.
Antes tarde do que nunca.
A indignação não vem apenas do povo. Treze ministros aposentados e ex-presidentes do próprio STF divulgaram uma nota pública classificando este momento como a “mais aguda crise” da história da Corte. Eles pediram uma sessão pública e uma apuração rigorosa dos fatos.
Isso diz muita coisa.
Quando antigos integrantes do próprio Supremo precisam sair do silêncio e pedir providências imediatas, é porque a situação passou de todos os limites.
O nome do STF foi jogado na lama e não existe mais espaço para demora, proteção ou conversa de bastidor. São necessárias ações rápidas, firmes e transparentes.
André Mendonça também foi acusado por causa de ternos. O que ele fez? Apresentou notas fiscais e mostrou que pagou pelas roupas. Isso é dar uma resposta à sociedade.
Nós, cidadãos de bem, ficamos indignados e torcemos para que apareça uma solução séria.
Eu sou a favor do impeachment e do afastamento imediato de Alexandre de Moraes. Também sou a favor de uma investigação séria, verdadeira e independente sobre todos os envolvidos — sem proteger ministro, banqueiro, policial, procurador ou político.
Ninguém deve ser condenado sem julgamento. Mas ninguém pode escapar de uma investigação apenas porque usa uma toga.
Estamos às vésperas de uma eleição muito importante, com a democracia brasileira em jogo. Por isso, precisamos refletir: vamos continuar com um governo cercado por escândalos, que passa a mão na cabeça de corruptos, ou vamos tentar uma mudança?
Eu sou a favor da alternância de poder. Sou a favor da mudança. Defendo que o governo atual saia.
O governo interfere demais no STF, e o STF interfere demais no governo. Essa proximidade não faz bem para a democracia e muito menos para o povo brasileiro.
O momento é de reflexão. Precisamos aproveitar a eleição para buscar um novo caminho, renovar os governantes e dar uma resposta nas urnas.
O Brasil não pode continuar nas mãos dos mesmos grupos, dos mesmos políticos e dos mesmos interesses.
Ministro do STF não é rei. Não é dono do Brasil. E não está acima da lei.
Diante de contratos milionários, mensagens, encontros, charutos, uísques caros e decisões que mudam de uma hora para outra, fica novamente a pergunta:
Que país é este?


