Eliana Pereira Ignacio
Olá, meus caros leitores, Quantas vezes você já disse “está tudo bem”, enquanto o seu corpo mostrava exatamente o contrário? A dor de cabeça frequente, o cansaço constante, a dificuldade para dormir, aquela tensão no corpo que parece não ir embora… muitas vezes, esses sinais não começam no corpo — eles começam nas emoções que não foram escutadas. A relação entre saúde física e emocional não é algo novo.
Ainda na Roma Antiga, o poeta Juvenal já expressava essa conexão ao escrever a famosa frase “mens sana in corpore sano” — uma mente saudável em um corpo saudável. Mas, apesar de ser um conceito antigo, ainda hoje muitas pessoas vivem como se mente e corpo fossem coisas separadas. Na prática clínica, vemos diariamente o quanto essa divisão é ilusória.
Quando uma pessoa vive sob estresse constante, ansiedade elevada ou sobrecarga emocional, o corpo responde. E responde de formas muito concretas: tensão muscular, dores recorrentes, alterações no sono, problemas gastrointestinais, queda de energia, irritabilidade.
O organismo entra em estado de alerta, como se estivesse sempre se preparando para um perigo que nunca passa. E o mais importante: o corpo não está “falhando”. Ele está tentando comunicar. Como bem pontuou Sigmund Freud: “As emoções não expressas nunca morrem.
Elas são enterradas vivas e voltam mais tarde de formas piores.” Por outro lado, quando o corpo não está bem, o impacto emocional também é inevitável. Pessoas que convivem com dor crônica, doenças físicas ou fadiga persistente frequentemente relatam sentimento de frustração, tristeza, irritação e até desesperança. O sofrimento físico, quando prolongado, começa a afetar a forma como a pessoa pensa, sente e se relaciona com o mundo.
Essa via é de mão dupla. Como afirmou Carl Jung: “A mente e o corpo não são separados. O que afeta um, afeta o outro.” Além disso, existe um terceiro elemento que conecta esses dois mundos: os hábitos do dia a dia. Sono, alimentação e atividade física não são apenas questões de rotina — são reguladores diretos do nosso estado emocional. Uma noite mal dormida pode aumentar a irritabilidade e reduzir a capacidade de lidar com frustrações. Uma alimentação desregulada pode afetar energia e concentração. A falta de movimento pode contribuir para sensação de estagnação e desânimo. Cuidar do corpo é, inevitavelmente, cuidar da mente. Mas há um ponto ainda mais profundo que precisa ser considerado: muitas pessoas foram ensinadas, ao longo da vida, a ignorar o que sentem.
A responder “está tudo bem” mesmo quando não está. A seguir em frente sem parar para processar emoções. E o que não é elaborado emocionalmente… muitas vezes é somatizado. O corpo passa a carregar aquilo que não foi nomeado, não foi compreendido e não foi acolhido. Nesse sentido, a forma como pensamos e sentimos também influencia diretamente nosso funcionamento físico. Como destacou Napoleon Hill: “O corpo alcança aquilo que a mente acredita.” Por isso, o cuidado com a saúde emocional não deve ser visto como um luxo ou algo secundário.
Ele é parte essencial do bem-estar global. Buscar terapia, desenvolver consciência emocional, aprender a reconhecer limites e respeitar o próprio tempo são atitudes que refletem diretamente na saúde física. Da mesma forma, cuidar do corpo com atenção — respeitando sinais de cansaço, mantendo uma rotina minimamente equilibrada e buscando acompanhamento médico quando necessário — contribui para maior estabilidade emocional. Na psicologia clínica, aprendemos a olhar para o indivíduo de forma integrada. Não tratamos apenas sintomas isolados, mas buscamos compreender a pessoa em sua totalidade: sua história, seus padrões emocionais, seus comportamentos e também seus sinais físicos.
Porque, no final, mente e corpo não competem entre si — eles se comunicam o tempo todo. E talvez a pergunta mais importante não seja “o que está acontecendo com o meu corpo?”, mas sim: “o que o meu corpo está tentando me dizer?” Como reforça Audre Lorde: “Cuidar de si mesmo não é um ato de egoísmo, é um ato de sobrevivência.” Hoje, ca o convite: observe-se com mais atenção.
Escute seus sinais — físicos e emocionais. Respeite o que você sente. Cuidar de si não é fraqueza. É consciência.
“Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.” — Provérbios 4:23
Eliana Pereira Ignacio é psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com. Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


