Tiago Prado
A regra é explícita. No SBA 7(a) e 504, 100% dos proprietários diretos e indiretos devem ser cidadãos ou nacionais dos EUA com residência principal no país. A política eliminou a exceção de 5% para participação estrangeira e excluiu residentes permanentes legais. A SOP vigente entrou em vigor em 1º de outubro.
Vamos separar duas coisas. A SBA não proibiu estrangeiros de possuir empresa americana. Ser dono não dá direito automático de trabalhar no país nem acesso ao crédito garantido pelo governo.
Sem SBA, a entrada de caixa precisa cobrir preço, fechamento e capital de giro dos primeiros meses. Quem usa tudo no closing compra um problema de liquidez. A pergunta não é “quanto o banco financia?”. É: o fluxo de caixa paga a dívida, mantém a operação e suporta erro? Se depende de crescimento otimista, o preço está alto ou a dívida está grande.
No seller financing, o vendedor recebe uma parte agora e financia outra por nota promissória. Reduz o cheque inicial e mantém o antigo dono exposto à qualidade do ativo. Não é dinheiro barato. Negocia preço, juros, garantias, prazo e prioridade de pagamento. O IRS trata vendas com pagamento após o ano da operação como installment sales e exige atenção à alocação do preço entre ativos. Advogado e contador entram antes da assinatura.
Crédito bancário convencional continua possível, mas o credor analisará caixa, garantias, histórico, entrada e covenants. Uma controladora estrangeira pode, em alguns casos, garantir a dívida da subsidiária americana. Depende do banco e da estrutura.
Para empresas com contas a receber, estoque, equipamentos ou imóveis, o asset-based lending pode complementar o capital. O limite depende do colateral, não de uma história sobre EBITDA. Estruturas grandes usam esse modelo em aquisições, mas serviços sem ativos financeiros relevantes podem não se encaixar.
Equity de sócio, família ou investidor é outra opção. Sócio real compartilha risco, retorno e governança. Sócio de fachada para simular elegibilidade SBA é fraude. A LOI deve dizer de onde vem o dinheiro e suas condições. Depois, a due diligence testa se o caixa suporta a dívida. Comprar cash flow exige números auditáveis.
Let’s be real. A saída da SBA não mata a tese de M&A para o brasileiro. Ela mata a tese preguiçosa de comprar alavancado sem construir uma estrutura de capital que sobreviva ao primeiro trimestre.
**Nota:** cada aquisição exige avaliação jurídica, tributária, migratória, regulatória e de crédito. Setores sensíveis e determinadas transações estrangeiras podem exigir análise adicional de CFIUS.


