Olá, meus caros leitores! É uma alegria estarmos juntos em mais um encontro na coluna SOS VIDA. Vivemos dias em que somos constantemente convidados a formar opiniões rápidas, responder imediatamente e acompanhar o ritmo acelerado das notícias.
No entanto, algumas das reflexões mais importantes da vida nascem justamente quando escolhemos desacelerar e olhar para o ser humano com mais profundidade. Hoje, convido você a fazer esse exercício comigo.
Antes de qualquer conclusão, vamos refletir sobre o valor da prudência, da empatia e da humildade diante das histórias que, muitas vezes, ainda não conhecemos por inteiro. “A maturidade não se revela pela rapidez com que respondemos aos acontecimentos, mas pela sabedoria com que escolhemos esperar antes de formar uma convicção.” Vivemos em uma sociedade que aprendeu a correr, mas que parece ter esquecido o valor da espera. As informações atravessam continentes em segundos.
As opiniões surgem quase instantaneamente. Muitas vezes, antes mesmo que os fatos sejam plenamente compreendidos, já existem interpretações, julgamentos e conclusões. Talvez este seja um dos maiores desafios do nosso tempo: aprender a conviver com aquilo que ainda não sabemos. A Psicologia nos ensina que o ser humano possui uma necessidade natural de dar sentido ao mundo.
Diante da incerteza, nossa mente procura organizar rapidamente as informações disponíveis para construir uma narrativa que pareça coerente. Esse mecanismo é importante para nossa adaptação, mas também pode nos conduzir a interpretações precipitadas quando ainda conhecemos apenas parte da história.
O psicólogo e pesquisador Daniel Kahneman, em sua obra Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, explica que nosso cérebro frequentemente utiliza um modo de pensamento rápido, intuitivo e automático. Esse processo nos ajuda a tomar decisões no cotidiano, mas também está sujeito aos chamados vieses cognitivos — atalhos mentais que podem nos fazer acreditar que compreendemos completamente uma realidade quando, na verdade, estamos enxergando apenas um fragmento dela. Essa compreensão nos convida a cultivar uma virtude cada vez mais necessária: a prudência. Prudência não significa omissão. Também não representa indiferença diante dos acontecimentos.
Prudência é reconhecer os limites do nosso próprio conhecimento. É compreender que existem histórias que ainda estão sendo reveladas, circunstâncias que desconhecemos e aspectos da experiência humana que permanecem invisíveis aos nossos olhos. Na prática clínica, aprendemos que compreender uma pessoa exige muito mais do que conhecer um acontecimento de sua vida.
Exige tempo, contexto, escuta e disposição para enxergar além daquilo que é imediatamente visível. A verdadeira escuta não busca apenas ouvir palavras; ela procura compreender a pessoa que existe por trás delas. Essa é uma das grandes contribuições da Psicologia Humanista. Carl Rogers, um de seus principais representantes, defendia que cada ser humano possui um valor intrínseco e merece ser acolhido com respeito, autenticidade e consideração positiva.
Sua abordagem nos lembra que ninguém pode ser reduzido ao pior — nem ao melhor — capítulo de sua história. Isso não elimina a responsabilidade individual nem substitui os processos necessários da vida em sociedade. Ao contrário, responsabilidade e dignidade caminham juntas.
Reconhecer a humanidade do outro não significa justificar suas escolhas, mas lembrar que toda pessoa é maior do que um único momento de sua existência. Vivemos dias em que, muitas vezes, conhecemos apenas um fragmento da história de alguém e, ainda assim, somos tentados a acreditar que conhecemos a história inteira.
Talvez seja justamente aí que a prudência encontre seu verdadeiro significado. Como cristãos, encontramos esse mesmo convite nas Escrituras. Jesus jamais ignorou a verdade. Mas também nunca separou a verdade da misericórdia. Antes de responder, Ele ouvia. Antes de ensinar, acolhia.
Antes de confrontar, enxergava a pessoa além das circunstâncias. Não é por acaso que o apóstolo Tiago nos orienta: “Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar.” (Tiago 1:19) Em uma época marcada pela velocidade, esse conselho parece mais atual do que nunca. Esperar não significa deixar de pensar.
Esperar significa reconhecer que nossa compreensão pode, por enquanto, estar incompleta. “Quem responde antes de ouvir comete insensatez; essa é a sua vergonha.” Provérbios 18:13 Até a próxima semana, se Deus permitir.
Que Ele continue abençoando você e sua família.
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


