JUNOT
Nova York — Um ato de antissemitismo chocou a comunidade da Universidade de Nova York (NYU) na tarde de 13 de maio de 2026. Durante o evento Grad Alley, festa de formatura no Washington Square Park, uma bandeira azul com duas suásticas, a Estrela de Davi e as letras “NYU” foi hasteada no topo do prédio da Steinhardt School of Culture, Education, and Human Development — instituição batizada em homenagem ao bilionário judeu Michael Steinhardt, um grande doador dessa universidade. A bandeira ficou visível por cerca de 15 minutos antes de ser retirada pela segurança do campus. A NYPD investiga o caso como possível crime de ódio.
A NYU condenou o incidente imediatamente. “Estamos chocados e profundamente perturbados que esse símbolo odioso de antissemitismo tenha sido hasteado em nosso campus”, afirmou porta-voz da universidade. O episódio ocorreu na semana de formatura, ampliando seu impacto simbólico.
O caso da NYU se insere em um contexto mais amplo de antissemitismo nos campi americanos. Após a explosão de incidentes após 7 de outubro de 2023, os números caíram significativamente em 2025: a Anti-Defamation League (ADL) registrou 583 ocorrências em universidades — queda de 66% em relação a 2024. No total nacional, o antissemitismo recuou 33%. Ainda assim, o patamar segue historicamente elevado.

As universidades da Ivy League, epicentro da crise em 2023-2024, registram avanços irregulares. No ADL Campus Antisemitism Report Card 2026, nenhuma Ivy League recebeu nota F. Columbia, Princeton e Yale subiram para C; Brown, Dartmouth e Penn alcançaram B. A própria NYU obteve nota A, graças a condenações rápidas, aplicação de regras e investimento na vida judaica no campus.
Harvard, porém, continua sob escrutínio. A universidade recebeu nota C (sem melhora em relação a 2025). Relatório final da Task Force presidencial (abril de 2025) admitiu que o antissemitismo “permeou” o campus após 7 de outubro: estudantes judeus relataram intimidação, exclusão e medo de expressar identidade. Em março de 2026, a administração Trump moveu processo federal cobrando bilhões de dólares, acusando Harvard de violar direitos civis ao não proteger judeus e israelenses. A universidade nega as alegações e cita avanços como adoção da definição IHRA de antissemitismo e treinamentos obrigatórios.
Especialistas da ADL destacam que, embora as políticas tenham melhorado em 58% das instituições avaliadas, a percepção de insegurança entre estudantes judeus persiste. O incidente na NYU serve de lembrete: mesmo com queda geral de casos, o ódio encontra brechas em momentos simbólicos — e as universidades de elite ainda lutam para transformar papel em proteção real.


