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Atlanta, Estados Unidos / Belo Horizonte, 6 de março de 2026 – A família de Gustavo Guimarães, brasileiro de 34 anos natural de Belo Horizonte (MG), contesta veementemente a versão apresentada pelas autoridades americanas sobre a morte do mineiro, baleado por policiais na noite de terça-feira (3) em Powder Springs, no estado da Geórgia. Enquanto o Georgia Bureau of Investigation (GBI) mantém que o homem sacou uma pistola durante uma chamada de crise de saúde mental, parentes afirmam que ele não portava arma e buscava ajuda psiquiátrica no momento da abordagem.
De acordo com o comunicado preliminar do GBI, divulgado em 4 de março, policiais do Departamento de Polícia de Powder Springs (PSPD) foram acionados por volta das 21h para atender uma ocorrência relacionada a saúde mental no estacionamento de um shopping center com uma loja Publix, na quadra 3000 da New Macland Road. Os agentes interagiram com Guimarães por cerca de uma hora na tentativa de resolver a situação pacificamente. No entanto, segundo a agência estadual, ele sacou uma handgun (pistola), o que levou os policiais a dispararem múltiplos tiros. Guimarães foi socorrido no local pelos próprios agentes, transportado ao hospital e declarado morto em seguida. Nenhum policial se feriu.
A investigação independente do GBI prossegue, sem atualizações significativas divulgadas até o momento. Ao final, o dossiê será encaminhado ao promotor distrital do Condado de Cobb para análise e possível decisão sobre responsabilização.
A narrativa oficial é corroborada por veículos locais como CBS News Atlanta, FOX 5 Atlanta, 11Alive e WSB-TV, que relatam a sequência de eventos com base no GBI e em declarações do PSPD. O departamento policial expressou condolências à família e destacou que situações de crise mental são “extremamente difíceis para todos os envolvidos”.
No entanto, familiares de Guimarães, que vivia nos EUA há cerca de 20 anos (residente em Acworth, cidade vizinha), contestam integralmente essa versão em entrevistas a veículos brasileiros de imprensa. Um parente, que pediu anonimato, afirmou que Gustavo apresentava indícios de esquizofrenia, estava desempregado devido aos problemas de saúde mental e havia combinado de se encontrar com a mãe e duas profissionais de saúde no estacionamento exatamente para iniciar tratamento. Segundo a família, ele não estava armado e a abordagem escalou para violência policial desnecessária. A mãe da vítima teria passado mal durante o episódio e precisado de atendimento médico.
Reportagens brasileiras também mencionam que a família questiona a proporcionalidade da ação e a ausência de uso de alternativas não letais, como taser, antes dos disparos.
O caso expõe novamente os desafios no atendimento a crises de saúde mental nos EUA, especialmente quando envolvem armas de fogo e respostas policiais. A Geórgia registra dezenas de tiroteios envolvendo oficiais anualmente, muitos investigados pelo GBI. Até agora, não há liberação de imagens de bodycam, resultados de autópsia ou depoimentos detalhados de testemunhas.
A investigação segue em curso, e novas informações — incluindo evidências balísticas ou gravações — podem alterar o quadro nos próximos dias ou semanas.
Não há indícios ou menções públicas, de que a morte de Gustavo Guimarães tenha sido um caso de “suicídio por polícia” (suicide by cop), ou seja, uma situação em que a pessoa intencionalmente provoca os policiais para ser morta por eles, algo muito comum nos USA.


