ORLANDO — Autoridades americanas desarticularam uma operação que, sob a fachada de consultoria jurídica especializada em imigração, teria explorado imigrantes em situação vulnerável, principalmente brasileiros recém-chegados ou em condição irregular nos Estados Unidos.
Identificada como Legacy Group, a empresa é acusada de praticar fraude, extorsão e associação criminosa. Entre os principais suspeitos de liderar o esquema estão Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva.
De acordo com as investigações, os envolvidos se apresentavam como especialistas em assuntos migratórios e ofereciam soluções rápidas para regularização, incluindo a obtenção de autorizações de trabalho (work permits) e a aprovação de pedidos de asilo. Na prática, segundo as acusações, não havia respaldo legal para as promessas feitas.
O grupo teria movimentado milhões de dólares ao longo dos últimos anos. O público-alvo principal eram brasileiros que chegavam aos Estados Unidos sem status migratório regular ou que buscavam desesperadamente regularizar sua situação.
Para conferir aparência de legitimidade ao serviço, os suspeitos adotavam linguagem técnica, identidade visual profissional e, em alguns casos, faziam referência a procedimentos reais do sistema imigratório americano. A estratégia, conforme descrito nas acusações, era criar confiança suficiente para que as vítimas pagassem valores elevados por serviços que, na maioria das vezes, não possuíam qualquer validade jurídica.
As prisões ocorreram no âmbito de uma operação conduzida por autoridades locais na região de Orlando, na Flórida, onde o grupo atuava. Os acusados enfrentam crimes que incluem fraude por meio de comunicações eletrônicas e o exercício ilegal da advocacia (unauthorized practice of law), uma vez que não eram advogados licenciados nos Estados Unidos.
Casos como esse têm sido cada vez mais comuns na Flórida, estado que concentra grande número de imigrantes latino-americanos. Autoridades americanas alertam regularmente sobre os riscos de contratar “consultores” ou “notários” que prometem atalhos no complexo sistema de imigração dos EUA, especialmente em pedidos de asilo e autorizações de trabalho.
A investigação ainda está em andamento, e mais detalhes sobre o volume total movimentado e o número exato de vítimas devem ser divulgados nos próximos dias pelas autoridades competentes.

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